Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 25/10/2020

A biotecnologia, a partir da década de 70, obteve grandes avanços com o conhecimento da estrutura do DNA, o que possibilitou o desenvolvimento de DNA recombinante, a identificação dos genes e as suas funções. Todavia, ao mesmo tempo que contribui para a evolução da sociedade, sobretudo no âmbito da agricultura e da saúde, ela, muitas vezes, ao ser utilizada ultrapassa os limites da ética, seja tanto pelas consequências sociais quanto pela a ameaça à biodiversidade ambiental. Logo, é preciso analisar as situações que desencadeiam esse impasse entre a biotecnologia e a Ética.

Convém evidenciar, primeiramente, que, com a possibilidade da edição do genoma de determinada espécie, por meio da ferramenta CRISPR-Cas9, muitas questões são trazidas à tona, principalmente, pela Ética determinar limites à atuação da biotecnologia na área da genética. Consoante a teoria de seleção natural, criada pelo naturalista Darwin, os seres mais aptos são selecionados e sobrevivem. Porém, a intervenção humana na ordem natural pode desenvolver traços indesejáveis. Nesse contexto, observa-se que a possibilidade dada aos pais de mudar a cor da pele e do cabelo de seu filho antes de nascer, resulta em debates na sociedade, haja vista que existe a incerteza científica sobre os efeitos da técnica no comportamento humano, consequentemente, essa modificação no indivíduo pode trazer a insatisfação dele com sua aparência física, e pode provocar problemas mentais. Desse modo, é notório que os valores éticos, presentes na sociedade, prejudicam a sua conciliação com a biotecnologia.

Outrossim, mais um agravante para esse embate é o cultivo de alimentos transgênicos feitos em larga escala, suscitando na disseminação dos transgenes, cuja as consequências, são prejudiciais a diversidade ambiental. Isso acontece porque ao liberar a plantação dos transgênicos no meio ambiente, tem-se a preocupação com a contaminação genética, por exemplo, pelo pólen, em áreas de cultivo que não utilizam essa técnica, visto que isso vai colaborar para o aumento da variedade transgênica, como efeito, ocorre a eliminação de várias espécies, a poluição genética, ou seja, ameaças à biodiversidade. Isso é confirmado pelo site do ministério do meio ambiente, o qual afirma que “No Estados Unidos e no Canadá, foram detectadas sementes de variedades não transgênicas contaminadas por transgenes”. Logo, é perceptível que essas atitudes são empecilhos para a humanidade, conflitando com a Ética.

Infere-se, portanto, que existe uma problemática para a conciliação da biotecnologia com a Ética. Para tanto, a ONU (Organizações das Nações Unidas), por ser uma organização internacional, pode, por intermédio da criação de leis específicas para os países, punir a modificação do genoma humano e aprovar o cultivo de alimentos transgênicos em local fechado, higienizado e próprio para esse plantio, a fim de evitar dano à saúde humana e a biodiversidade. Assim, os desafios ficarão apenas na história.