Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 22/10/2020
Desde que Mendel, “o pai da genética”, desenvolveu as leis de hereditariedade, os estudos sobre o genótipo humano não pararam mais. No início do século XX, com o advento da modernização, foi criada a Biotecnologia, ciência muito importante na economia e evolução tecnológica, entretanto, ainda há grandes contrariedades entre ela e a Ética, tornando esse debate, extremamente necessário para o progresso do país e bem-estar humano. Logo, questões como a influência do capitalismo na Biotecnologia e qual os benefícios e limites essa nova ciência deve portar, têm que ser discutidas.
Inicialmente, percebe-se a ação direta do capitalismo no problema entre Biotecnologia e Ética. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, o capitalismo é um sistema parasitário, que sempre está à procura de um organismo ainda não explorado. Tal conceito, é bem aplicado quando empresários utilizam da produção científica - como é o caso da tecnologia transgênica - para lucrarem exorbitantemente, sendo que, não se sabe ao certo se haverá ou não consequências futuras causadas pelo consumo de alimentos geneticamente modificados, fazendo com que a venda desses produtos seja feita de forma irresponsável. Dessa forma, a Bioética - estudo multidisciplinar entre Ciências Biológicas, Direito e Filosofia - enfrenta grandes debates para determinar o uso da tecnologia de maneira adequada, respeitando o ser humano.
Analogamente, os grandes questionamentos da Bioética, apesar de desafiadores, são necessários e tomam face determinante na segurança da vida. Para Albert Einstein, ficava claro que a tecnologia que o ser humano criou, ultrapassou a humanidade dele. É notável a desilusão do físico com a empatia humana e com a ciência sendo utilizada de maneira degradante para a vida humana, como na criação de bombas atômicas na Segunda Guerra Mundial, é imprescindível discussões sobre a certeza do que é benéfico e o que não é, bem como, um debate assíduo sobre os limites da tecnologia. Visto isso, temas como a fertilização in vitro, alimentos transgênicos e clonagem de seres vivos são assuntos polêmicos mas que devem sempre buscar respeitar a dignidade do vivo.
Torna-se evidente, portanto, que apesar de desafios, a relação entre Biotecnologia e Ética tem que prevalecer. Posto isso, cabe ao Conselho Federal de Medicina (CFM) juntamente com a Sociedade Brasileira de Bioética (SBB), por meio de patrocínio do Governo Federal, a execução de palestras e mesas-redondas de forma presencial e virtual, que ficarão disponíveis na plataforma do Youtube para profissionais da saúde e população em geral, com o objetivo de tornar o debate entre Tecnologia e Ética mais público e dinâmico. Dessa forma, todo o esforço dos cientistas, desde Mendel até agora, será aproveitado pelas pessoas de forma segura.