Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 22/10/2020

Após as evoluções tecnológicas da Terceira Revolução Industrial, as influências das modernidades se expandiram para diversas áreas e, entre elas, está o desenvolvimento da Biotecnologia. Dessa maneira, é racional afirmar que esse processo apresenta caráter positivo para a humanidade, uma vez que as melhoras na medicina e na agricultura possibilitaram o aumento da expectativa de vida da população e o crescimento da produtividade agrícola. No entanto, apesar desses progressos, a Biotecnologia possui diversos desafios de conciliação com a Ética.

Devido aos possíveis níveis de atos invasivos genéticos dos procedimentos e os impactos sociais e ambientais de ações bruscas. É pertinente ressaltar que as possibilidades de atuação da engenharia biotecnológica são, principalmente, mais abundantes na área da genética e, por isso, exigem mais cuidado, fator delimitado pela Ética. Como exemplo de mudança mais invasiva a ferramenta CRIPR-Cas9 que permite a adulteração genômica de determinada espécie, ou seja, o homem possui a hipótese de, em um curto prazo, poder alterar características dos genótipos de um embrião, como a escolha da cor dos olhos daquele futuro feto.

“É urgente recuperar os princípios. A falta de perspectiva ética é o maior risco que sociedade pode correr”, alerta Renato Nalini que atua na Câmara Especial de Meio Ambiente no TJ de São Paulo. Conforme esses questionamentos, é importante entender que a ciência evoluiu muito ao longo de algumas décadas, e agora, ela pode estar sendo utilizada de maneira errônea, atropelando a ética sem pensar nas consequências.

Torna-se evidente, portanto, que a Biotecnologia não pode ultrapassar limites da ética. Assim, cabe as instituições maiores de pesquisa e ciência, juntamente com a Unesco delimitar o alcance de atuação de áreas como biotecnologia, para que não haja atos invasivos genéticos, e impactos sociais e ambientais. Uma forma de delimitar seria com leis e normas internacionais, mantendo a evolução da ciência e do conhecimento, entretanto com limites para não ferir a ética.