Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 20/10/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, têm como caraterística mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela inconsciente manipulação genética de seres vivos, seja pelo desencadear de uma sociedade eugenista, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é válido destacar que, por meio da ciência e dos avanços tecnológicos, a biotecnologia trouxe grandes melhorias para diversas áreas abrangentes, como agricultura, indústria farmacêutica, entre outros. Porém, a falta de limites imposta por profissionais da área biotecnológica pode implicar em inversões no curso natural de espécies, por meio de esquemas de cruzamento e seleção dos melhores genótipos, no qual fazem prevalecer as melhores e mais adequadas características. Desse modo, apesar da vantagem comparativa na obtenção de ganhos genéticos de seleção de genótipos, a má administração e controle das espécies pode levar o “descarte” de indivíduos que possam estar fora do padrão estabelecido e consequentemente, a extinção de alguma linhagem de seres vivos. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Somado a isso, é válido ressaltar que, a Biotecnologia, como o próprio nome sugere, é a ciência aplicada à modificação biológica de seres vivos. No entanto, a falta de respeito e ética com diversidades dos seres, resultado da modificação do DNA com viés hegemônico, afeta a sociedade contemporânea, por editar determinadas características consideradas “melhores”, com intuito de levar a humanidade à homogeneização, contribuindo assim, para o acirramento da discriminação social e pela estimulação de um padrão de beleza ainda maior do que o já imposto pela sociedade. Por isso, é inaceitável que essa situação se perpetue no mundo contemporâneo.

Depreende-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar o problema. Para tanto, é imperiosa uma ação do governo, que deve por meio de palestras informativas e campanhas midiáticas, promover a estimulação de um pensamento crítico a respeito da relação entre ciência e humanidade, facilitando o desenvolvimento biotecnológico sem desrespeitar os direitos humanos e sociais, a fim de proporcionar uma eficiente responsabilidade científica e um limite da intervenção humanitária, pois somente assim, poderá ser observado um país em que esses problemas poderão ser mazelas passadas na história da humanidade.