Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 23/10/2020

Em um mundo pós revolução industrial, a biotecnologia tem alcançado extremas conquistas que visam melhorar a vida humana. Porém, tais ações começam a ser discutidas e repensadas quando ultrapassam os limites da ética. Nas palavras do filósofo Theodor Adorno, há uma preocupação com o destino da técnica moderna, aonde chegaremos ao ponto de dominação do homem pelo próprio homem.

Em primeira análise, é importante ressaltar que o poder biológico absoluto pode ser usado para fins ligados a eugenia, disfarçada de ‘‘avanço’’. Tal teoria viola os direitos humanos, pois coloca em risco a diversidade. O sociólogo Marcel Byrsztyn ressalta que deve-se revisar cautelosamente essa busca pelo progresso, visto que, apesar dos inúmeros benefícios, há uma preocupação quanto aos danos a natureza e ao próprio homem. Ultrapassar os limites da ética resultará em questionamentos sobre a liberdade, além de trazer mais conflitos morais, ligados a um possível ‘‘melhoramento racial’’, o que desrespeita diretamente etnias e culturas.

Ademais, os atos de  distanásia e  ortotanásia devem ser discutidos. Com de acordo Michel Foucault, “o direito de morte tenderá a se deslocar ou, pelo menos, a se apoiar nas exigências de um poder que gere a vida e a se ordenar em função dos seus reclames’’. A ciência se despõe a decidir quem deve morrer ou não, trazendo a tona questões éticas sobre as liberdades individuais dos seres humanos. Deixa-los vivos a qualquer custo, se utilizando de toda a tecnologia disponível, apesar do sofrimento do paciente, assim como assistir sua morte sem prestar nenhum auxílio, são atos que se opõe à ética.

Portanto, para consolidar a biotecnologia com a ética, de forma que os avanços tecnológicos progridam sem afetar os valores da humanidade, se faz necessário de que o Estado em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações integre programas de ensino sobre a bioética em diversos setores, propondo debates acerca dos limites entre as inovações e o respeito aos direitos humanos.