Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 23/10/2020

Em um grave acidente de trânsito que deixa toda a sua família morta, William, sobrevivente e um renomado neurocientista, com a intuição de trazer sua família de volta a vida decide utilizar seu meio de trabalho, infringindo as leis que coíbam as atitudes do gênero e, usá-los como cobaias de seus estudos. No final do filme, temos os problemas já esperados: questões ligadas ao livre-árbitro, a ética por trás de específicas condutas e fins. Contudo, é importante salientar que discutir a respeito de temáticas como a pelo filme apresentado, tornaram-se, com o altíssimo avanço da Biotecnologia, de extrema importância para o campo ético.

Primeiramente, é preciso que não haja dúvidas em crer que não é de hoje que questões relativamente semelhantes a essas espreitam inúmeros e importantes debates em nossa sociedade. Os filósofos ingleses Jeremy Bentham e J. S. Mill, por exemplo, árduos defensores do movimento denominado Utilitarismo, expressaram, já no século XVIII, a ideia da felicidade em seu maior valor possível quanto às práticas exercidas no mais geral dos acontecimentos; a relação entre o bem e mal dos atos humanos. Nessa perspectiva, concluir que possíveis modificações genéticas e reproduções artificiais com o intuito de tornar o indivíduo isento de problemas que possivelmente seriam por ele desenvolvidas, nos faz, ou ao menos deveria, pensar sobre sua devida acessibilidade e consequências em todo o âmbito que é o ser humano.

Em contraparte, é evidente que cada vez menos questões relacionadas ao suposto bem supremo não estejam tão em uso como necessariamente deveriam estar. É de se imaginar que num país em que há milhões de pessoas que não têm sequer o que comer, importariam os mesmos famintos para o enriquecimento do debate; é ao menos o passível de se concluir: uma vez que a abordagem do alcance dos teóricos benefícios de toda a Biotecnologia torna-se “palpável”, “bastante majoritariamente”, apenas a ricos poderosos e estudantes da área. Portanto, é preciso que haja uma democratização no acesso às informações  que dizem respeito ao futuro de cada ser humano e que merece poder influenciar na sua pobre e curta passagem por este planeta.

Em última instância, cabe ao Ministério da Saúde e o Ministério da Propaganda a disseminação e a acessibilidade do tema e seus efeitos na sociedade humana, não apenas se limitando ao meio televisivo, é de extrema importância que os propagem por meio da “internet”, o que inclui as famosas e bastante utilizadas redes sociais. Após tornarem a discussão mais acessível e real a todos, enfim teremos a possibilidade, com a potência adequada, a devida e necessária análise dos desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética no que se refere a vida humana na Terra.