Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 22/10/2020

Ao longo do processo de formação da ciência, a biotecnologia consolidou-se como uma de suas áreas mais promissoras. No século XX, muito em parte devido as duas Guerras Mundiais, a biotecnologia se destacou na melhoria de técnicas para a produção de alimentos e na descoberta de medicamentos e vacinas para tratar doenças que afligiam países inteiros. Embora seja vista com muito otimismo para o futuro, nota-se, na contemporaneidade, uma enorme preocupação com o uso indevido das tecnologias desenvolvidas para a guerra ou outras práticas que violam o limite da ética, como a eugenia. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da ciência e da sociedade.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que essa enorme preocupação se baseia nos experimentos crueis feitos durante as guerras em seres humanos e na ausência de uma atuação mais forte de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Como diria o pensador C.S. Lewis - “cada novo poder conquistado pelo homem, é também um poder sobre o homem” - os avanços dessa vertente científica tem mostrado possibilidades que podem criar um abismo ainda maior entre os povos.

Além disso, é imperativo ressaltar a omissão de parte da comunidade científica que não traz um posicionamento mais firme sobre os limites do uso da biotecnologia, pois há um receio de sofrer represálias e perder financiamentos em suas pesquisas. Partindo desse ponto, mostra-se que um dos agentes importantes na discussão desse tema é refém de si mesmo. Tudo isso retarda a resolução dessa grande temática, já que essa omissão de parte dos pesquisadores contribui para a perpetuação desse quadro negativo.

Com isso, observa-se que medidas urgentes são necessárias para que o avanço da biotecnia possa trazer mais benefícios que malefícios para o mundo globalizado. Para que isso ocorra, é necessário que os governos globais, em parceria com a comunidade científica internacional, venham a regulamentar a área, traçando os limites éticos aceitáveis que permitam o avanço sadio dessa área pujante da ciência. Assim, deve-se criar mecanismos de práticas permitidas e, em uma eventual transgressão desse limite estabelecido, de punição para cientistas e para instituições. Apenas assim será possível criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da humanidade sem aprofundar as desigualdades já existentes.