Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 22/10/2020
Muito se discute sobre o avanço da biotecnologia que vem sendo realidade a partir da terceira revolução industrial, contudo, torna-se indubitável que este avanço deve-se ocorrer juntamente com a ética, que muitas das vezes não é a realidade, tendo como exemplo a série “Grey’s Anatomy” da Netflix que tenta retratar a realidade dos médicos que sempre fazem o que julgam ser melhor para o paciente, pondo em risco a sua ética.
Em primeiro lugar, é indubitável que o aprimoramento genético deve-se ao processo contínuo de evolução que é vivenciado pelo homem. Isso ocorre porque a utilização de técnicas atuais modifica ações passadas, desenvolvidas a séculos por populações anteriores. Exemplo claro dessa realidade são as sementes geneticamente modificadas hodiernamente produzidas. De maneira análoga, com tais modificações tornou-se possível a produção de produtos com maiores valores nutricionais e com resistência a pragas no intuito de reverter o quadro da fome no mundo. Conquanto, vê-se que a real necessidade desse processo biotecnológico tornou-se o lucro, confirmando o pensamento auto explicativo “o capitalismo é a real causa de todos os males”, do sociólogo Karl Marx.
Em segundo lugar, sob ângulo histórico, diversas tragédias científicas expõem os riscos existentes na ultrapassagem de limites éticos. Nessa vertente, o episódio do início do século XX espelha uma dessas fatalidades, em que, no auge da radioatividade, vendiam-se produtos de higiene pessoal radioativos, remédios e até mesmo água, com promessas publicitárias de contribuir para uma saúde melhor, devido ao pouco conhecimento sobre os efeitos da radiação na época, acarretando muitas mortes, especialmente de trabalhadoras de fábricas. Paralelo ao relatado, há na esfera biotecnológica viabilidade para a ocorrência de um novo desastre, especialmente pela falta de previsão das consequências de usos como alimentação transgênica e edição de DNA humano a longo prazo.
Diante do supracitado, é mister que o Poder Legislativo redija leis proibitivas acerca do uso da biotecnologia para testes humanos e com restrição da edição de DNA em embriões, visando o bem estar e a prevenção de futuras anomalias como resultado, além de dispor a imposição da obrigatoriedade de conferência por pesquisadores científicos quanto as consequências dos transgénicos ao ecossistema e os seus efeitos à saúde humana antes de legitimar o comércio, por meio do estabelecimento de diversas etapas que assegurem a falta de risco, a fim de evitar a repetição de um erro histórico e impedir a seleção genética antinatural, preservando a ética.