Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 22/10/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os desafios para o avanço da biotecnologia e ética torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela  falta de legislação que regule algumas práticas, seja pela ausência de consenso acerca dos efeitos, na população, de inovações tão recentes, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.​

A priori, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que o  diminuto consenso acerca das consequências de uma série de inovações biológicas leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante à baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.), qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente à consolidação da Biotecnologia e Ética persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno. ​

Outrossim, vale ressaltar sobre a falta de diretrizes gerais que organizem práticas associadas à biologia. Exemplo disso, noticiado em jornais como o Estadão, é o caso do cientista chinês He Jiankui; ele alterou o gene de 2 embriões no intuito de dificultar a infecção pelo vírus da AIDS. Todavia, esse procedimento foi criticado pela comunidade internacional porque, além de ser proibido em vários países, como os Estados Unidos, modificou o patrimônio celular dos fetos e criou a possibilidade disso mudar o funcionamento de outras partes do DNA. Dessa forma, é evidente a necessidade de criar regras que versem sobre o tema para evitar a execução de testes duvidosos.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Para isso, é necessário que a Organização Mundial da Saúde, defina regulamentações para o uso das ferramentas biotecnológicas de modo a minimizar incertezas relacionadas aos avanços científicos e a impedir procedimentos de caráter danoso ou duvidoso, por meio de conferências e do repasse de verbas para pesquisas. Assim, certamente haverá muito mais descobertas positivas, do que negativas nos avanços tecnológicos.