Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 22/10/2020

É indiscutível que a biotecnologia representa uma grande ferramenta de desenvolvimento tecnológico para a população atual. Apesar disso a base ética da sociedade não se desenvolveu junto ao enorme crescimento da tecnologia, dessa forma novos problemas sociais desenvolveram-se e o limite entre a ética e sua banalização em prol do lucro foi ultrapassado com produtos rentáveis para as corporações, mas que prejudicam a saúde física e mental do consumidor.

Primeiramente, é importante ressaltar que desde o século XVIII com as Revoluções Industriais, as pessoas correm em busca de inovações. Exemplo disso foi a descoberta de antibióticos, vacinas, a produção da insulina por meio da engenharia genética, todos esses foram fundamentais para o crescimento da longevidade e uma melhor qualidade de vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a expectativa de vida no Brasil subiu dos 70 para os 75 anos. Nessa perspectiva, percebe-se uma melhoria significativa na prevenção e tratamento de doenças, ocasionada por diversos fatores dentre eles a pesquisa e tecnologia.

Logo, a problematização de ultrapassar os valores éticos com o uso da biotecnologia afeta não só a questão física do consumidor, mas também a mental. Cada vez mais a biologia molecular desenvolve mecanismos de alteração do material genético - DNA - e isso possibilitou que pessoas se apropriassem dessas técnicas para as realizações de procedimentos questionáveis eticamente, como a escolha de cabelo e olhos de bebês de pais férteis e saudáveis a partir de uma simples técnica de edição do DNA.  O rápido desenvolvimento de técnicas biotecnológicas não abre espaço para que sejam realizadas reflexões sobre seus impactos, como por exemplo, a questão de conflitos de identidade que tais edições poderão gerar na mentalidade dessas crianças.

A biotecnologia, portanto, surge para a humanidade como uma forma de resolução de problemas complexos, porém o seu uso traz novas problemáticas sociais. Dessa forma é extremamente necessária a criação, pelo Poder Legislativo, de um conjunto de leis que acompanhem o desenvolvimento tecnológico da sociedade. Além disso, a participação e promoção de espaços para o debate da bioética que englobem as grandes corporações, cientistas e sociedade são de grande importância, e organizações mundiais como a ONU podem atuar como intermediadoras e promotoras desse eventos. Também se faz  necessária a inserção da bioética na grade educacional, é importante que sejam formadas pessoas com senso crítico aos novos problemas atuais.