Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 22/10/2020

No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que a relação entre ética e biotecnologia não afeta a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, naturalizando esse modo de pensar, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados. Avanços na medicina e nos agronegócios tentam justificar o uso desmedido dessas tecnologias. A falta de limites implica em inversões no curso natural das espécies.

A princípio, a falta de respeito à diversidade põe em risco os avanços da biotecnologia, o que implica um desequilíbrio entre ciência e humanidade. A bióloga Jennifer Doudna, criadora da ferramenta CRISPR-Cas9 para a edição genética, expõe o perigo da modificação do DNA com viés hegemônico, isto é, editar determinadas características consideradas “melhores” a fim de levar a humanidade à homogeneização. Assim, com base em experiências anteriores, como na Alemanha nazista, em 1940, e sua inclinação para o uso do “filtro hegemônico” em prol da “raça ariana”, entende-se que o desrespeito à diversidade é um dos impasses criadores de opiniões divergentes quanto aos investimentos nessa área científica.

Já os desafios de conciliação entre ética e biotecnologia esperam na fila por ser um assunto tabu na sociedade enquanto os primeiros temas da bioética continuam sendo urgentes.

Fica claro, portanto, que medidas sejam tomadas a fim d resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia em consonância com o Ministério da Educação, investirem em pesquisas, mas não esquecerem dos valores éticos. Dessa forma, devem fornecer desde cedo disciplinas curriculares que trabalham a conciliação da biotecnologia e os diversos princípios humanos, ademais, fornecer palestras abertas para pais e filhos com o objetivo de ensinarem sobre o crescimento científico, dignidade humana, ética e moral.