Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 24/10/2020
Segundo Darwin, as espécies são adaptadas ao seu habitat de acordo com as exigências do ambiente. Por isso, a evolução é entendida como um mecanismo da natureza para o controle do equilíbrio ecológico. Assim, o uso indevido da biotecnologia pode ser um risco, seja prejudicando a segurança pública, ou arriscando a permanência de algumas espécies no meio ambiente.
É válido destacar que a ciência pode ser usada como uma arma. Como exemplo disso a 2ª Guerra Mundial, em que o conhecimento de processos de esterilização foram implementados contra a vontade da minoria. Atualmente a reprodução de patógenos é a maior ameaça em um eventual conflito. Entretanto, nota-se que o saber é um meio de dominação. No ano de 2018 o pesquisador He Jiankui, lançou uma notícia anunciando o nascimento de gêmeos, cujo DNA foi modificado para torná-los resistentes ao vírus da aids. Esse comunicado repercutiu no mundo inteiro por ir contra a ética moral da sociedade, Durante uma reunião com a imprensa, o vice-ministro chinês da Ciência e Tecnologia, Xu Nanping, afirmou, por sua vez, que, se os gêmeos realmente nasceram, era ilegal. De fato, de acordo com os princípios éticos promulgados em 2003 com relação à pesquisa com células-tronco embrionárias, a cultura in vitro é possível, mas apenas por 14 dias após a fertilização, ou transplante do núcleo. O hospital Harmonicare, envolvido na pesquisa, assegurou que o documento que autorizava o experimento provavelmente teria sido falsificado.
É evidente que o estudo da genética, desenvolvido por Mendel, trouxe a opção de se prevenir doenças hereditárias. Entretanto, existem aqueles que desejam selecionar características por estética. Com isso, o gerenciamento da espécie humana é ameaçada pela baixa variabilidade genética. É inaceitável que mesmo com essa possibilidade, não seja garantido o controle ético. A China é o país que lidera no ranking de pesquisas biotecnológicas, porém o país infelizmente “protege” seus cientistas fazendo com que esses pesquisadores acabem infringindo os padrões éticos e acadêmicos. Vale ressaltar que a bioética não é pautada em proibições, vetos e limites. Pelo contrário é baseada nos valores morais. portanto o que vale é o desejo livre e consciente dos indivíduos e da sociedade, desde que as decisões não invadam a liberdade e os direitos de outros indivíduos.
Com tudo fica evidente os obstáculos que geram desafios para que haja bioética. No entanto torna-se urgente a criação de um estatuto cientifico com a ação do poder legislativo, para a supervisão e regulamentação de seus projetos. Cabe a mídia conscientizar através de propagandas e campanhas sobre os direitos do ser humano. Desse modo será possível que a biotecnologia e a ética caminhem lado a lado junto a sociedade.