Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 24/10/2020

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, entende-se que o uso ético da biotecnologia é uma problemática atual. Assim, é necessário analisar que seja pela ganância ou então  por métodos imorais de pesquisa, o entrave vem silenciosamente se agravando e precisa de reflexão urgente.

Primeiramente, cabe ressaltar que a ambição por grandes lucros durante o desenvolvimento de um projeto faz com que o objetivo de tal esforço seja ambíguo. Sendo assim, algo que deveria ajudar na manutenção de situações cotidianas serve apenas como ferramenta de enriquecimento. Isso pode ser comprovado com a soja transgênica que foi criada com o intuito de ser resistente aos fatores biológicos e naturais, mas, sobretudo, ao herbicida Glifosato que é uma substância altamente tóxica aos seres humanos causando inúmeros problemas, porém apesar de tudo, a produção é multiplicada muitas vezes, além de que os grãos se tornam maiores. Logo, compreende-se que o prática da biotécnica exclusivamente em favor de retorno financeiro se configura um obstáculo frente ao entrave.

Em segundo lugar, os meios pelos quais uma pesquisa é conduzida podem torná-la um problema frente à moral e à ética. Nesse sentido, investigações que colocam em risco a vida de indivíduos, ou então estudos para combinar fatores genéticos afim de criar um ser conveniente para determinado serviço  ou preferência são contrários aos princípios éticos da sociedade, pois destituem direitos de liberdade. A exemplo, há a fertilização in vitro a qual alguns casais que podem ter filhos naturalmente recorrem com o intuito de selecionar características como a coloração dos olhos e cabelos de seus filhos, contrariando a concepção natural de um filho. Então, percebe-se que o uso inadequado de tecnologias biológicas auxilia no agravamento da situação.

Em suma, o problema existe e necessita de reflexão urgente. Deste modo, cabe ao Governo fiscalizar de forma rigorosa centros de pesquisas que envolvam a biotecnologia, por meio de visitas ponto a ponto e entrega de relatórios - apontando as atividades realizadas e os resultados obtidos -, com o objetivo de direcionar o uso dessas técnicas e evitar a infração da ética e moral. Portanto, poder-se-á atenuar a problemática atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.