Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/10/2020

Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista e acredita em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a biotecnologia e a ética torna o país cada vez mais distante do imaginado pela personagem. Nesse âmbito, seja pela ineficiência governamental, seja pela falta de valores morais, o problema exige uma reflexão urgente.

É necessário destacar, a priori, que o desmazelo social é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Isso porque o termo cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam um pleno conhecimento da realidade na qual estão inseridos, e de como seu próximo pode desfrutar do bem comum - já que suas fontes de informações estão direcionadas -, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Sob tal ótica, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade às demais realidades sociais. Desse modo, é importante salientar o papel do corpo social em combater a omissão do governo mediante aos dilemas éticos existentes no processo de desenvolvimento da biologia. Logo, é essencial a intervenção do brasileiro na comunidade em que vive e sua contribuição, sobretudo, para a estimulação de uma nação com mais valores morais.

Ademais, é imperativo pontuar que a idealização de Quaresma distancia-se ainda mais da realidade brasileira, visto que a falta de políticas públicas contribui para a continuidade da problemática. Nesse viés, de acordo com Abraham Lincoln, ícone político americano, “a política existe para servir ao povo e não o contrário”. Nesse sentido, em relação à falta de ética nas inovações biológicas o que se percebe é justamente a ideia oposta a que Lincoln defendeu, pois não há um conjunto de ações, planos, metas públicas voltadas para a resolução da questão. E, como consequência, há o agravamento de um problema social expressivo que poderia ser solucionado se houvesse mais interesse do Estado. Assim, é mister uma reformulação da postura estatal brasileira.

Diante disso, medidas são necessárias para mitigar essa problemática. Para tanto, é dever do Governo Federal – órgão responsável pelo bem-estar– elaborar um plano nacional sobre o estudo e a aplicação da biotecnologia baseado em princípios éticos e morais, por meio de uma associação entre prefeituras, governadores e setores federais – já que o fenômeno envolve todos esses âmbitos – a fim de reduzir estereótipos e o silêncio em relação ao assunto. Dessa forma, notar-se-á uma melhora no cenário nacional e maior aproximação do ideário de Policarpo Quaresma.