Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 24/10/2020
No livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, é retratada uma sociedade distópica futurística. Nesse viés, os seres humanos são produzidos e modificados geneticamente pelo cientistas, os médicos moldam as pessoas de acordo com o interesse dos grandes empresários. Hodiernamente, com uma certa semelhança com o livro supramencionado, o uso da tecnologia da vida pode trazer grandes melhorias para o mundo, se utilizada com discernimento e ética, além disso a prática indiscriminada da biotecnologia e com inópia de princípios morais já causou catástrofes.
Mormente, a utilização da tecnologia da vida revoluciona o âmbito científico com descobertas estarrecedoras. Nesse sentido, no ano de 1993, foi mostrada para o mundo a ovelha Dolly, que foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta. Analogamente, em 2018, um cientista chinês modificou o DNA de duas gêmeas para torná-las resistentes ao vírus da imunodeficiência humana (HIV). Logo, frente aos acontecimentos científicos supracitados, nota-se que o uso da biotecnologia de maneira ética, benéfica e consciente é extremamente útil e positivo para o ser humano, pois ela pode ajudar a mitigar ou até mesmo sanar doenças que assolam a humanidade há décadas, como no caso do HIV.
Ademais, o exercício ilegal, inescrupuloso e desumano da tecnologia da vida já vitimou muitas pessoas. Sob esse prisma, durante a Segunda Guerra Mundial, o médico nazista Josef Mengele, realizou centenas de experimentos com gêmeos idênticos, ele realizava trocas sanguíneas entre os irmãos, procedimento que muita vezes era letal, por conta da rejeição do organismo. Assim, posteriori o término do combate, foi criado o “Código de Nuremberg”, que é um conjunto de medidas éticas para evitar que as cenas de horror feitas pelo esculápio fossem reproduzidas. Com isso, diante dos acontecidos aludidos, transparece o impacto que a biotecnologia utilizada sem ética tem na sociedade, pois atos catastróficos criam um pânico e originam uma entropia na população, que tende a reprimir e condenar a tecnologia da vida.
Portanto, ações fazem-se necessárias para mitigar os impactos da biotecnologia sem ética. Para que a população tenha consciência da problemática, urge que o Ministério da Justiça crie uma lei chamada “Ciência com princípios morais”, por meio de patrocínio estatal, o mandamento irá fiscalizar os experimentos e testes que os cientistas fazem em laboratório, o pesquisador que for flagrado realizando algum ato que descumpra os direitos humanos deve perder sua licença para atuar na área e ser preso por cinco até dez anos, dessa forma, a biotecnologia terá mais ética aplicada nela. Somente assim, o quadro atual será resolvido, evitando que a distopia de “Admirável mundo novo” aconteça.