Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 26/10/2020
Biotecnologia são técnicas que envolvem a manipulação do material genético de seres vivos, com fins industriais ou medicinais. Além disso, biotecnologia também é definida como uso das tecnologias que utilizam organismos vivos, ou produtos elaborados a partir deles, para criar ou modificar produtos para fins específicos. De fato, um grande avanço para a sociedade. Entretanto, o problema é que, para alguns, é como essa forma de conhecimento está sendo usada.
Prudência e responsabilidade são os limites para a questão, segundo a advogada Renata da Rocha, doutoranda em Filosofia do Direito pela PUC-SP. Ela participou do painel Biodireito e Bioética: O direito à vida, parte do XXIX Congresso Brasileiro de Direito Constitucional, promovido pelo Instituto Brasileiro de Direito Constitucional nesta semana em São Paulo. O uso de fertilização in vitro por pessoas que não teriam nenhum problema em ter filhos, só para escolher a cor dos olhos do filho e tentar garantir a ele uma vida saudável, seria um tipo de tecnologia que ultrapassa os limites da ética, na opinião de Renata. Com isso, deixou-se de acreditar na geração espontânea e as atenções voltaram-se ao estudo dos microrganismos e da teoria celular.
Além disso, utilização intensiva de agrotóxicos e fertilizantes inorgânicos; interferência no equilíbrio da natureza; criação de sementes geneticamente modificadas (inférteis); “poluição genética”, uma vez que não é possível controlar os efeitos da disseminação de organismos geneticamente modificados no ambiente; alimentos transgênicos podem causar alergias, entre outros prejuízos. questões éticas relacionadas à clonagem de seres vivos; a produção de células-tronco produz estresse celular que pode ter como consequência o envelhecimento precoce, são muitos dos problemas causados pela biotecnologia.
Contudo, Na discussão sobre bioética e biodireito, não existem respostas certas ainda. A falta de conhecimento em relação às consequências do avanço da tecnologia não permite conclusões. Fazer as pessoas refletirem sobre o assunto, por meio de questionamentos, comparações e projeções, é o primeiro passo. Renata defende que é preciso reafirmar os valores sociais para que a ciência se desenvolva. “A ciência não pode acabar com a miséria humana, por mais que Galileu quisesse. Uma sociedade livre, justa e solidária se faz com base na ética.”