Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 25/10/2020
Mário Sérgio Cortella, filósofo brasileiro, afirma que “É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”. Assim, de acordo com esse princípio, deve-se sempre questionar as ações e colocá-las em consonância com a ética, a fim de evitar conflitos e normalizações de questões que não sejam próprias ou aceitáveis na convivência em sociedade, principalmente a Brasileira. Porém, quando se trata da Biotecnologia, essa conciliação nem sempre acontece ou é falha, em decorrência da rapidez com que as ciências em geral evoluem e das necessidades cada vez maiores de adaptação do ser humano.
É interessante destacar, a priori, que crescimento populacional leva a um consequente crescimento no consumo, mormente de alimentos. Dessa maneira, são necessárias formas capazes de aumentar os rendimentos da agropecuária, o que é feito com auxílio das tecnologias biológicas. Porém, apesar das Biotecnologia ser uma necessidade, ela pode acarretar problemas. Nesse âmbito, sabe-se que as pessoas leigas se encontram incapacitadas de interferir ou compreender a fundo esse assunto. Isso pode afetar a ética uma vez que o indivíduo não possui ou não conhece opções accessíveis de alimentos que não são transgênicos ou não tiveram o uso de inúmeros agrotóxicos, por exemplo. Assim, ele se vê obrigado consumir esses produtos e não está consciente dos problemas gerados no meio ambiente.
Em segundo lugar, é valido ressaltar que os avanços tecnológicos estão estritamente ligados à tentativa dos países ou de grupos específicos de se sobressaírem no contexto mundial. De acordo com o filósofo alemão Max Planck “a ciência avança funeral a funeral’’, sendo assim, pode-se inferir que para que haja essa evolução e superioridade de uma nação, muitas vezes, a produtividade e interesses próprios são colocados acima da bioética e da ética. Nesse contexto, um exemplo cabível é o bioterrorismo, agentes biológicos que são utilizados como armas ameaçando a vida de inúmeras pessoas, como ocorreu em Nova York em 2001 com a liberação de Antraz - uma bactéria.
Fica visível, portanto, que medidas devem ser tomadas para que o problema discutido seja coibido. Para tanto cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e ao Ministério da Saúde investir na divulgação de informações sobre a biotecnologia e a bioética para toda a população. A ideia é que, por meio de propagandas nas mídias e palestras abertas a todo público (com linguagem de fácil entendimento), sejam divulgadas pesquisas realizadas sobre os alimentos transgênicos, uso de agrotóxicos, melhoramento genético em animais e humanos e os benefícios e prejuízos dessas ações. Dessa forma, notar-se-á uma sociedade gradativamente mais consciente e uma nova geração mais preocupada com os princípios morais.