Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 25/10/2020
A maior parte dos avanços tecnológicos traz benefícios e riscos, embora os últimos possam ser difíceis de prever. A biotecnologia faz parte dos avanços necessários, por outro lado, é descreditada pela bioética, que problematiza questões relacionadas à conduta dos seres humanos em relação a outros seres humanos e a outras formas de vida.
Entende-se por Ética, mais do que um simples corretor de posturas e atitudes das pessoas. A Ética está intimamente ligada à vida em sociedade, à política e à moral. Centra-se nas ações humanas e no que resulta delas. Ou seja, os riscos de alergias, desequilíbrio de ecossistema e contaminações genéticas são um impasse para os avanços prometidos.
Não devemos pensar, entretanto, que a biotecnologia é uma prática de malefícios, uma vez, que é utilizada desde a Antiguidade na utilização de microrganismos para a preparação de alimentos e bebidas, e desde então, evolui trazendo: a destilação do álcool; vacinas através da inoculação de um vírus em uma criança; obtenção da primeira planta geneticamente modificada e clonagem. Está em vários pontos na sociedade, na inovação e desenvolvimento de novos produtos.
O desafio para a conciliação de ambas, é exatamente, a história do “quebrar para consertar”, da Biotecnologia. A exemplo da agricultura, o seu casamento com o Agronegócio – apesar das vantagens – desencadeia um desequilíbrio ambiental gigantesco atingindo a população. O desmatamento, a degradação do solo, a perda da biodiversidade, o uso abusivo de insumos que acarreta problemas como a contaminação do ecossistema e da saúde dos seres humanos e a outras formas de vida que ali habitam. A biotecnologia tem a responsabilidade de auxiliar no aumento dessa produção sem, no entanto, provocar efeitos irreparáveis ao ambiente. Esse é o impasse para com a Bioética, e andam a passos lentos para uma conciliação, por falta de cumprimento às leis e respeito à sociedade e meio ambiente.
No entanto, sugere-se, quanto à agricultura, a criação de leis mais rígidas e eficazes, tendo punições mais graves a qualquer tipo de crime ambiental no país; o cumprimento das leis já existentes, como a Lei de Biossegurança (Lei 11.105); maior fiscalização e o incentivo por práticas agrárias mais conscientes, beneficiariam o todo. Além disso, o Ministério também deve aprovar um decreto para determinar à universidade que os cursos de ciências naturais (como biologia, química e biotecnologia) devam ter disciplinas formais e palestras sobre ética, combinadas com a prática profissional.