Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/10/2020

Debate-se muito que, para o avanço da humanidade, seria necessário abandonar certos valores morais e éticos, assim como dizia Galileu Galilei, que a verdade sobre os fenômenos da natureza é obtida através da experimentação e observação, dando origem às ciências experimentais. É possível observar que esse assunto sempre esteve presente, até, por exemplo, nos dias atuais com uma declaração polêmica do biólogo Richard Dawkins. Logo com isso em pauta, é impossível ignorar os embates entre o campo biotecnológico e os princípios éticos, de um lado, os cientistas, as instituições e o conhecimento genético e do outro, a sociedade e as consequências que podem advir da aplicação desse conhecimento. É importante avaliarmos o papel de ambos, chegando em uma análise dos limites que a biotecnologia não deve ultrapassar para que moralidade e a ciência possam trabalhar em harmonia.

Desde a aurora da humanidade o ser humano vem usando da seleção artificial, inicialmente como um acaso até que, eventualmente, se tornou um método amplamente praticado. Com os constantes avanços que a biotecnologia sofreu nos anos 2000, hoje ela tem a capacidade de moldar a vida na menor escala possível: o DNA. A capacidade de detectar embriões com má formações ou que são mais propensos a problemas de saúde junto a capacidade de evitar tais complicações poderia salvar ainda mais vidas, mas é questão de tempo para que a mesma tecnologia que hoje salva vidas, amanhã seja usada como uma ferramenta eugenista.

Além de Dawkins, em 2001, o biólogo molecular e geneticista americano James Watson, pediu que as leis americanas fossem modificadas para permitir a alteração dos genes dos espermatozoides, para que genes “ruins” fossem evitados e genes “bons” fossem valorizados. Os críticos, por outro lado, disseram que essa ideia traria de volta o espectro da eugenia, defendida pelos nazistas, o pensamento aperfeiçoamento genético. Com o controle do genoma humano seria possível extinguir a anemia falciforme, atrasar surgimento dos mais variados tipos de câncer assim como várias outras enfermidades, mas também poderia ser usado como uma forma de concretizar os ideais de purificação étnica já que um gene “ruim” poderia ser tanto propensão a uma doença ou a cor da pele de uma pessoa. Neste caso, seria correto permitir que um indivíduo escolhesse o que é um gene “bom” e o que é um gene “ruim”?

Em conclusão, é impossível negar os benefícios que a biotecnologia trouxe a humanidade, porém seria necessário a existência de uma regulamentação firme, que não permita a interpretação textual, contendo não só limites de até onde a eugenia deve ir, mas também outros assuntos tão sérios quanto.