Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/10/2020

Policarpio Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com os desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética torna o país ainda mais distante do imaginado pela personagem. Nessa perspectiva, seja pela inconsciente manipulação genética de seres vivos, seja pela falta de limites da biotecnologia, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a inconsciente manipulação genética de seres vivos corrobora de forma intensiva para o entrave. Isso porque a ausência de limites imposta por profissionais dessa área pode causar mudanças no curso natural das espécies, por meio de seleção dos melhores genótipos, no qual fazem prevalecer as melhores características. Dessa forma, verifica-se que apesar da melhora de obtenção de ganhos genéticos de seleção de genótipos, a má administração e controle pode levar ao “descarte” de indivíduos que não estaram no padrão imposto, e isso pode levar a extinção de alguma espécie de ser vivo. Nesse sentido, é necessário que medidas imediatas sejam tomadas para que a sociedade de modo geral possa usufruir de seus direitos.

Em segundo lugar, é válido reconhecer que a falta de limites da biotecnologia limita a cidadania do indivíduo, que tem direito ao bem-estar social. Segundo Gilberto Dimenstein, apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de todos os modernos códigos legais que regem o país, o Brasil ainda é negligente quando o assunto é a conciliação da biotecnologia e a ética. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Portanto, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Logo, o governo brasileiro e o Ministério da Educação, junto com a mídia, por meio de campanhas, palestras e comerciais, deve conscientizar a população e os futuros universitários biotecnólogos a não pensarem somente na tecnologia mas também na dignidade humana. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois conforme Gabriel O Pensador: “Na ausência do presente, a gente molda o futuro”.