Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 26/10/2020
No ano de 1997 nasceu o primeiro mamífero oriundo de clonagem, a ovelha Dolly, a partir de estudos em biotecnologia. Nos dias atuais, o avanço na tecnologia aplicada aos sistemas biológicos permitiu a criação de sementes geneticamente modificadas, o melhoramento genético de animais e plantas, bem como produção de vacinas e medicamentos. No entanto, é preciso analisar os desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética, visto que apesar da contribuição para avanços na medicina, existem estudos que indicam efeitos nocivos de organismos geneticamente modificados.
Em primeira análise, é importante destacar os aspectos positivos no desenvolvimento de técnicas em sistemas biológicos. De acordo com o filósofo Augusto Comte, “o progresso é a lei da história da humanidade, e o homem está em constante processo de evolução”. Nesse contexto, é nítido quanto a evolução do homem e da ciência possibilitou o progresso em diversas áreas, a exemplo, no campo da medicina. Através da biotecnologia permitiu-se tratar com mais eficácia doenças incuráveis, como o câncer, além da produção de medicamentos que contribuíram para o aumento da expectativa de vida da população. Dessa forma, fica nítido como que a biotecnologia contribuiu para a melhoria na qualidade de vida das pessoas e aumento da longevidade, destacando assim os aspectos positivos da implantação dessas tecnologias.
Em segunda análise, é imprescindível ressaltar alguns aspectos negativos a cerca da aplicação da biotecnologia nos dias atuais. Desde os processos de revolução industrial e ascensão do capitalismo, a busca pela elevada produtividade é crescente. Nesse cenário, a biotecnologia atuou no desenvolvimento de sementes transgênicas com o intuito de aumentar a produtividade, reduzir o custo de produção e gerar menos impactos ambientais. Em contrapartida, estudos apontam efeitos nocivos relacionados ao consumos de produtos originados de sementes orgânicas, como aumento das alergias e da resistência aos antibióticos. É nesse ponto que é conveniente recordar que a ética sobrevive sem a ciência e a técnica. Entretanto, a ciência e a técnica não podem prescindir da ética, sob pena de transformarem-se em armas desastrosas para o futuro da humanidade. Desse modo, destaca-se a necessidade da análise adequada do risco e o monitoramento constante quanto a saúde alimentar e a segurança ambiental.
Portanto, cabe a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança atuar por meio apoio técnico consultivo e assessoramento ao Governo Federal na implementação de políticas de biossegurança relacionadas às sementes transgênicas, utilizando pareceres técnicos referentes à proteção da saúde humana. Dessa forma será possível tornar mais ética a aplicação da biotecnologia nos dias atuais.