Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/10/2020

A bioética não é registrada em proibições, limites ou bloqueios, e muito menos na necessidade inevitável que alguns vêem de que tudo seja regrado, codificado, legalizado. Ao contrário, regida no respeito ao pluralismo moral, para ela, o que vale é o desejo livre, predominante e lúcido das pessoas e das sociedades humanas, desde que as decisões não interfiram no livre-arbítrio e nos direitos de terceiros. A bioética está, precisamente, em libertar-se dos bloqueios que se distorcem com beneficência. Historicamente, a humanidade vem carregando o peso da dicotomia entre o “certo” e o “errado”, entre o “bem” e o “mal”, entre o “justo” e o “injusto”.

Para a bioética laica, o que é benigno, certo ou justo para uma comunidade moral, não é bom, preponderante ou probo para outra, já que suas moralidades podem ser variadas. Desta forma, ao invés de pautarem-se em proibições, vetos, limitações, normatizações ou mesmo em mandamentos, ela atua afirmativamente, beneficamente. Para ela, portanto, o rudimento é a liberdade, porém, com senso, com responsabilidade.

A bioética caracteriza-se, assim, por chancelar à análise processual das intrigas através de uma ética sucinta que possa emitir - na medida do possível - a mediação e o êxito pacífico das divergências. Em situações nas quais “estranhos morais” cheguem a posições inviáveis no sentido de temas constatados nas últimas fronteiras do diálogo, como o aborto, por exemplo, e em alguns instantes o tema dos transgênicos, nos quais provavelmente durante um bom tempo ainda se estará trabalhando para o desenvolvimento de um consenso universal, as concisas saídas parecem se resumir no diálogo e na tolerância.

O diálogo cansativo e a tolerância, acarretados com responsabilidade são assim alguns dos elementos utilizados pela bioética para outorgar  a confecção de convívio pacífico entre indivíduos e coletividades de visões e posturas morais ábsonas.