Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 30/10/2020

No filme “O Destino de Júpter”, é retratado o sequenciamento genético como algo primordial na constituição da identidade do indivíduo. Assim, na obra, o genoma exato de uma rainha intergaláctica ressurge em uma mulher no planeta terra e, por isso, é considerada da realeza. Em contexto real e hodierno, os genes também possuem uma importância significativa, principalmente em áreas como a biotecnológica. Nesse ínterim, a problemática consiste nos desafios para conciliação dessa tecnologia com a ética, pautada seja em conceitos humanitários sobre a transposição de fronteiras e o senso de limites, seja pelo medo de consequências diretas ou indiretas acarretado por modificações genéticas.

Previamente, é válido ressaltar os inúmeros benefícios que a biotecnologia trouxe para a melhora da qualidade da vida humana. Nessa lógica, a título de exemplo, o desenvolvimento de técnicas e produ- ção em massa da insulina -proteína utilizada no tratamento da diabetes- não só marca um bem social, como transpõe barreiras e limitações à saúde. Dessa maneira, o trabalho da engenharia genética deve ser aprovada apenas para condições  em que as vantagens sejam maiores que os riscos. Essa atitude proporciona uma fronteira nas práticas biotecnicas e, ainda, mitiga possíveis crises pandêmicas como a trazida pela cinematografia de " Guerra Mundial Z" - obra traz alto contágio e seletividade de um vírus.

Em segunda análise, está o receio quanto a utilização desses métodos de manuseio de genes. Dessa forma, esse sentimento é fundamentado desde nos efeitos negativos causados pelos transgênicos ao ecossistema, até o uso de armas biológicas. Posto isso, essa desconfiança também é alimentada por acontecimentos históricos - bombas de uma substância tóxica, antraz, empregado pelos

Estados Unidos em conflitos internacionais. Assim, a teoria neodarwiniana - soma de conceitos genéti-cos de Mendel e evolucionistas de Darwin- explicita os conhecimentos base para atuação de cientistas, não obstante, suas contribuições inegavelmente devem constituir o alicerce para as boas práticas e o bom uso ético e moral da manipulação gênica e, ademais, sanar esses desafios.

Logo, fica claro que é impreterível a superação dos empasses que garantam a bioética. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pelo desenvolvimento e tecnologia, devem criar um conselho composto por pesquisadores, economistas, advogados, ambientalistas e médicos. Essa junta irá fazer análises em tempo real de cada novo processo biotecnológico que surja e possa gerar inflamações sociais. Desse modo, por meio da propriedade em saberes específicos desses profissionais atuantes na

área, poderá ser criado uma legislação que garanta a seguridade coletiva e seu direcionamento para causas benéficas à sociedade. Por tudo isso, o fito na superação dos entraves e medos que envolvem a temática, também  mostrado no filme “O Destino de Júpter”, será atingido.