Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 14/11/2020
Há quatro mil anos a.C. foi descoberto, no Egito, uma maneira de fazer pão, vinho, queijo e derivados, através da ação de microrganismos, mostrando que a biotecnologia já era utilizada desde a antiguidade para a obtenção de diversos produtos. Hodiernamente, essa técnica, no que lhe diz respeito, apresenta desafios refletidos nas consequências da produção de alimentos transgênicos e nas ferramentas de modificação do genoma, para a conciliação de sua prática e o campo da ética.
Nesse sentido, torna-se válido ressaltar que, na física, muito se estuda sobre a terceira lei de Newton, na qual para toda ação existe uma reação de mesma intensidade. Fora das ciências da natureza, tal princípio físico também se aplica na produção dos alimentos transgênicos, uma vez que o seu cultivo em massa - ação -, favorece o aumento dos riscos não só para a saúde humana, bem como o surgimento de alergias, mas também para o meio ambiente - reação. Dessa forma, essa prática, geradora de lucro às custas de malefícios, torna-se um desafio para a biotecnologia.
Nesse mesmo prisma, faz-se mister salientar que a CRISPR, precisa ferramenta de modificação do genoma, tem potencial para ser aplicada em embriões humanos, o que pode levar a sociedade à era do “design de bebes”, de acordo com a plataforma digital de tecnologia Gizmodo. Em consequência, essa técnica pode ultrapassar os limites da ética, já que pode ser utilizada apenas para satisfazer uma vontade estética dos pais. Por conseguinte, é de suma importância que limites sejam estabelecidos para o uso dessa biotecnologia.
Portanto, por mais que o uso desse método tecnológico seja benéfico para alguns setores da sociedade, como a agricultura, infere-se que há desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética. Logo, cabe ao Poder Legislativo definir um extremo para a utilização dessa engenharia genética, por intermédio da criação de leis, cuja implementação seja efetiva, a fim de que o uso desse artefato seja voltado às questões, de fato, necessárias, para que a sociedade se desenvolva dentro dos princípios morais e éticos.