Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 09/11/2020
A obra cinematográfica “Convergente” relata a diferença genética e a exclusão por meio dela. Quando a protagonista do filme, Tris, que é geneticamente pura, se vê em um impasse moral, ao descobrir que a sociedade a qual ela vivia foi isolada, por conter apenas indivíduos geneticamente danificados. Fora da ficção, a realidade apresentada não é tão diferente, visto que durante décadas há debates sobre os desafios para conciliação da biotecnologia e ética. Nesse sentido, cabe ressaltar que a manipulação gênica pode desencadear problemas sociais e diplomáticos pelo mundo, assim como no filme.
Em primeira análise, com o avanço das técnicas a modificação genética esta cada vez mais eficiente. Por consequência disso, um cientista chinês usou o procedimento “crispr 9” para mudar os genes de um embrião. Com isso, o bebê nasceu imune à infecção por HIV. Contudo, o mesmo pesquisador admitiu que não usou a ferramenta apenas para curar, ou seja, também, para aprimorar as habilidade cognitivas da criança. Sobre esse fato, cabe salientar que tal atitude extrapolou os limites bioéticos. Sabendo disso, um estudo feito pela faculdade Getúlio vargas mostra que essa técnica pode ampliar as desigualdades sociais uma vez que os mais pobres não teriam acesso a ela, sendo necessário um maior debate, e se possível não praticar.
Outrossim, a questão diplomática também fica abalada quando o assunto bioética entra em cena. Desde a segunda guerra mundial, a questão genética envolvendo humanos tornou-se tabu, devido aos terrores cometidos pelos nazistas em busca de uma raça única e perfeita. Logo, o caso do médico chinês, hoje desaparecido, quase trouxe problemas para o país dele, de acordo com a reportagem da Globonews. Entretanto, essa ferramenta pode ser usada para causas realmente cruéis como o bioterrorismo, a exemplo, o antraz usado contra os Estados Unidos em 2001. Embora no Brasil não haja um histórico de terrorismo é necessário tomar precauções.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver esse impasse. Sendo assim, urge que o Estado, por meio do congresso nacional, deva criar uma lei efetiva que proíbe o uso da biotecnologia em seres humanos em território nacional, ou seja, com pena de retirada do diploma, para que assim, caso como do bebe asiático não aconteça em nosso país. Ademais, na mesma lei, os congressistas devem elaborar um parágrafo que diga que o Brasil é contra a qualquer uso antiético da biotecnologia em qualquer localidade do globo para fins diplomáticos.