Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 16/11/2020

Na série de ficção científica Black Mirror, é retratada a exploração de um futuro próximo onde a natureza humana e a tecnologia de ponta entram em um perigoso conflito. De maneira análoga, baseando-se na filosofia transumanista, a qual visa analisar e melhorar a condição humana a partir do uso da ciência e da tecnologia, a conciliação entre a ética e a biotecnologia configura-se como um desafio árduo, seja pelo silenciamento do problema em questão bem como a ineficiência governamental. Logo, urge que esse cenário nefasto seja revertido, visto que o supramencionado trata-se de um problema complexo que precisa ser revertido.

Primeiramente, é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente para o problema. Segundou Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a conciliação da ética e a biotecnologia, o que contribui com o aumento do escasso conhecimento da população acerca da questão abordada, uma vez que, segundo dados do jornal G1, cerca de 1/4 da população brasileira não sabe sequer do que se trata a biotecnologia. Assim, é improrrogável a necessidade de se mitigar o sisudo entrave discorrido.

Em segunda instância, outra causa para a configuração do problema consiste na improficiência governamental. Por conseguinte, pode-se inferir que uma sociedade livre, justa e solidária se faz, antes de tudo, baseando-se na ética. Além disso, no Artigo 2 da Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos, a dignidade faz com que seja imperativo não reduzir os indivíduos as suas características genéticas, respeitando suas singularidades e necessidades. Entretanto, na prática, essa vicissitude é deturpada, tendo em vista que, hodiernamente, diversas pessoas recorrem a ajuda da ciência a fim de gerarem filhos com as características que sempre almejaram.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que o Estado, em parceria com as Escolas e com o Ministério da Ciência e Tecnologia promovam um espaço para rodas de conversa e debate sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período do contra turno, contando com a presença de professores, especialistas no assunto e psicólogos. Além disso, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância dos avanços tecnológicos estarem sempre em harmonia com os princípios morais da sociedade e de cada indivíduo no seu particular e, consequentemente, tornar os supracitados cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor.