Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/11/2020
No jogo eletrônico “Final Fantasy VII”, a companhia elétrica Shinra desenvolveu um programa para treinar jovens combatentes em super soldados, esse plano, porém, envolveu a modificação genética dos indivíduos, causando danos irreversíveis à sua saúde. Paralelamente, as pesquisas de biotecnologia hodiernas apresentam um perigo similar ao futuro das cobaias, pois negligenciam as consequências e implicações éticas dos experimentos. Sendo crescentemente mais necessária a discussão sobre a conciliação da biotecnologia e ética, é possível afirmar que os principais desafios para essa questão são a coleta de células-tronco e a modificação genética de infantes.
Primeiramente, é relevante considerar as questões éticas sobre a maneira como ocorre a coleta de células-tronco em casos onde se opta pelo parto ou congela-se um embrião por esse motivo. Sendo a natureza das células-tronco a de uma célula desenvolvida durante o processo embrionário, é necessário que ocorra o processo de parto para que elas sejam coletadas. Consequentemente, existem casos onde pais de filhos portadores de doenças que necessitam desse tratamento escolhem ter outro filho para coletar células-tronco. Além disso, células tronco também são coletadas de embriões congelados, que, segundo ex-procurador-geral da república Claudio Fonteles, são nascituros, cujos direitos são preservados pela lei. Logo, os direitos de fetos e embriões são cruciais na discussão.
Após isso, é importante dar foco nas implicações éticas e morais da fertilização in vitro por pais que desejam realizar modificação genética no filho, mesmo sem necessidade biológica. Segundo matéria do site de jornalismo G1, o cientista He Jiankui obteve sucesso em tentativa de criar gêmeos geneticamente modificados para resistirem ao vírus HIV contraído pelo pai. Este exemplo exemplifica o lado bom do argumento, já que seria possível evitar doenças possivelmente fatais ao infante, mas, por outro lado, também há a possibilidade de alterações em aspectos físicos e psicológicos de bebês, algo que, considerando a falta de consentimento da criança, é altamente antiético. Portanto, é preciso estabelecer limites na recombinação genética de embriões.
Em suma, as questões mais urgentes quando se trata de ética na biotecnologia são o método de coleta de células-tronco e os limites da modificação genética de embriões. Visto isso, é necessário que o Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações evite a experimentação e exploração de embriões na ciência por meio de leis que definem limites rígidos para essa prática e solidificam o embrião como um indivíduo com direitos consolidados na constituição. Dessa forma, seria possível continuar o avanço tecnológico nessas áreas enquanto se evita os possíveis danos às futuras vidas enquanto os impactos dessas tecnologias ainda não são completamente conhecidos.