Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/11/2020
A biotecnologia se popularizou no cenário da Terceira Revolução Industrial por promover estudos de manipulação do material genético a fim de alcançar melhoramento dos organismos geneticamente modificados. Contudo, as questões éticas ganharam relevância com o objetivo de conciliar os avanços tecnológicos e a moral humana, não só pela inexistência de normas limitadoras da engenharia genética, mas também pela hodierna valorização da produção acima da saúde e do meio ambiente. Desse modo, amenizar tais desafios que desarmonizam biotecnologia e ética são de relevância nacional às futuras gerações.
Em primeira análise, é perceptível que estabelecer limites aos desenvolvimentos da biotecnologia é de suma importância à moral. Conforme a ideia, segundo o filósofo Aristóteles, a ética está relacionada com o preceito da “Justa medida”, em que evita-se os extremos. Sendo assim, os avanços tecnológicos benéficos ao ser humano promovidos pela manipulação genética, como vacinas e antibióticos, devem continuar a serem estudados. Entretanto, os estudos exagerados de aprimoramento genético, por exemplo as alterações puramente estéticas na fertilização in vitro, podem ser fiscalizadas e impedidas, visto que ultrapassam os marcos éticos. Logo, nota-se a necessidade de reafirmar os valores sociais, de modo a possibilitar os avanços científicos dentro de seus limites.
Em segunda análise, lamentavelmente, por vezes a biotecnologia aliada a produção possui maior relevância do que os impactos à saúde ou natureza. À vista disso, a produção de alimentos geneticamente modificados possibilitam a criação de plantas com rápido crescimento e mais resistência, aumentando a produção. Todavia, são alimentos tóxicos ao ser humano e ao solo, potencializando o risco de câncer ou alergias. Dessa forma, os produtos transgênicos são comercializados no Brasil identificados pelo símbolo T, porém poucos brasileiros tem conhecimento sobre essa identificação ou dos efeitos colaterais desse consumo. Assim, é notável a importância de ações éticas que conscientize a população acerca dos produtos consumidos diariamente.
Portanto, algumas atitudes são necessárias para conciliar a biotecnologia e a ética. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio), promover uma fiscalização rígida dos desenvolvimentos bioéticos e dos produtos transgênicos, de forma que os limites da biotecnologia estejam definidos e sejam respeitado. Ademais, por meio das mídias sociais, promover ações de conscientização acerca dos transgênicos, a fim dos brasileiros terem acesso à informações transparentes sobre tais produtos. Feito isso, possivelmente, a harmonia entre os avanços biotecnológicos e a ética será reafirmada.