Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 15/11/2020

Após um grave acidente de trânsito que deixa toda a sua família morta, William, sobrevivente e um renomado neurocientista, com o intuito de trazê-los de volta à vida, decide, utilizando seu meio de trabalho, infringir quaisquer leis que coíbam atitudes do gênero e, usá-los como cobaias de seus estudos. Com o fim do filme supracitado, tem-se os já esperados problemas: questões ligadas ao livre-arbítrio, a ética por trás de específicas condutas e afins. Contudo, é importante salientar que discutir acerca de temáticas como as apresentadas no filme “Cópias”, tornaram-se, com o altíssimo avanço da Biotecnologia, de extrema importância para o campo ético-profissional.

Primeiramente, vale ratificar que questões relativamente semelhantes a essas espreitam inúmeros e importantes debates na sociedade. Os filósofos ingleses Jeremy Bentham e J. S. Mill, por exemplo, árduos defensores do movimento denominado Utilitarismo, expressaram já no século XVIII, a ideia da felicidade em seu maior valor possível quanto às práticas exercidas no mais geral dos acontecimentos; grosso modo, a relação entre o bem e mal dos atos humanos. Nessa perspectiva, concluir que possíveis modificações genéticas e reproduções artificiais com o intuito de tornar o indivíduo isento de problemas que possivelmente seriam por ele desenvolvidas, conduzem ao questionamento em pensar sobre a devida acessibilidade e consequências em todo o âmbito que é o ser humano.

Em contrapartida, é notório que cada vez menos questões relacionadas ao suposto bem supremo não estejam tão em voga como necessariamente deveriam estar. É válido salientar que o atual sistema educacional, o qual Paulo Freire chamou de mecanizado, pouco tem contribuído para conciliar essa ciência à ética, uma vez que preocupado meramente com preparar os jovens para o mercado de trabalho, por meio de um ensino tecnicista, descuida-se do seu papel crucial de criar profissionais e, acima de tudo, cidadãos capazes de entender os impactos das tecnologias associadas a vida pessoal, impedindo o posicionamento crítico dos estudantes a partir de uma teoria aliada a consciência.

Em última instância, cabe ao Ministério da Saúde e o Ministério da Propaganda a disseminação e a acessibilidade do tema e seus efeitos na sociedade humana, não apenas se limitando ao meio televisivo, é de extrema importância que os propaguem por meio da internet, o que inclui as famosas e bastante utilizadas redes sociais. Após tornarem a discussão mais acessível e real a todos, visa-se a possibilidade, com a potência adequada, a devida e necessária análise dos desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética no que se refere a vida humana na Terra.