Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/11/2020
Lâmpada, barco a vapor, avião e internet, todas essas invenções, proporcionadas pela ciência, tiveram um papel de destaque na mudança do rumo da história da humanidade. Da mesma forma, a biotecnologia, definida como a manipulação de microrganismos visando produtos de interesse para a sociedade, como a vacina, promove inúmeros avanços, desde a área da saúde até a agricultura. O desenvolvimento deste conhecimento é de extrema importância, no entanto, a problemática se encontra na esfera de como está sendo utilizado, uma vez que precisa respeitar os limites da ética, que é muito discutida quando abordada a questão reprodução artificial, por exemplo.
Diante dessa questão, é preciso abordar que a biotecnologia traz diversos benefícios com a produção de vacinas, antibióticos e melhoramento genético de plantas, com maior imunidade à pragas. Além disso, há a produção de sabão-em-pó, em que bactérias geneticamente modificadas são usadas para produzir enzimas que removem manchas de gordura. Todavia, o problema é o estabelecimento do limite para o uso dessa biotecnologia, além de separar quando está sendo utilizada para questões válidas e se os benefícios são maiores que os riscos. Ocorre, por exemplo, a manipulação dos corpos de atletas através do ‘doping’, onde recorrem a drogas para melhorar seus desempenhos, utilizando a ciência com má-fé. Outrossim, há a escolha de cor de olhos e cabelo de bebês.
Nesse sentido, a ciência que envolve as escolhas nos bebês é baseada em uma técnica de laboratório chamada de pré-implantação de diagnóstico genético e é permitida nos Estados Unidos e oferecida pela clínica Steinberg, em Los Angeles. Os médicos, então, selecionam um embrião com os traços físicos desejados e descartam os outros, criando, assim, os “bebês projetados”. Este, é um exemplo claro de uma tecnologia que ultrapassa os limites da ética. Ademais, utilizar a manipulação genética apenas por preferências ou para obtenção de lucro vai contra qualquer princípio ético e moral, e a ética tem de prevalecer sempre orientando os princípios da moralidade, como afirma Bruno Calil.
Diante do exposto, medidas são necessárias para solucionar os impasses da conciliação da Biotecnologia e a Ética, uma vez que, segundo o Jurgen Habermas, a sociedade depende de críticas às suas tradições. Dos meios possíveis, cabe ao Ministério da Saúde exigir o posicionamento de instituições, pesquisadores e Comitês de Ética em Pesquisa em todo país, para as pesquisas em genética humana e suas aplicações, por meio de um projeto de lei a ser entregue à câmara dos deputados. Ademais, também é papel do Ministério da Saúde, em conjunto do Ministério da Propaganda, garantir uma maior discussão a respeito do tema, através da disseminação do assunto por meio das mídias. Tudo isso com o objetivo de garantir a ética, sendo ela a base da sociedade.