Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 14/11/2020
No século XX, as experiências nazistas realizadas em campos de concentração- como o mergulho de seres humanos em tanques gelados para estudo dos efeitos da hipotermia- representaram, no mais alto grau, a nocividade e violência, a qual a ciência pode adquirir senão estiver baseada em princípios éticos. Cem anos depois, a discussão sobre os limites do desenvolvimento da biotecnologia se tornou mais necessária, consequente aos avanços na área e nas legislações dos direitos humanos e animais. Nesse sentido, faz-se necessário analisar os principais entraves acerca desse debate: a ética fundamentada em princípios religiosos e a ética pautada no lucro.
Sob uma primeira análise, é evidente que o código de conduta ético no Brasil é extremamente conservador- como por exemplo, tem-se a criminalização do aborto- apesar da adoção da postura laica pelo país. Segundo o IBGE, mais de 86% da população brasileira é cristã, ou seja, há grande influência das ideologias da religião na sociedade. As classes menos escolarizadas por não terem contato com a ciência tendem a radicalizar seus ideais religiosos para além de suas vidas privadas, como também a desvalorizar a prudência das decisões tomadas baseadas em estudos científicos. Dessa maneira, o debate se torna um “tabu”, ao passo que a ciência precisa tomar novos rumos decorrente do desenvolvimento dos últimos anos.
Ademais, é fato que o desenvolvimento da sociedade capitalista, desde a Revolução Industrial, resultou na exploração dos recursos naturais e do meio ambiente. À medida que a burguesia mundial lucrou a curto prazo a partir da intensificação da industrialização, por conseguinte destruição do planeta- haja vista o aquecimento global. Isso é, nenhum princípio ético foi adotado no que tange a preservação do meio ambiente. As consequências são refletidas e tendem a se intensificar em alguns anos, como a extinção de algumas espécie devido ao desmatamento de áreas florestais para plantação de alimentos transgênicos. Portanto, a discussão não pode ser baseada em busca no lucro de uma parcela da população, no entanto no bem-estar de todos.
Destarte, torna-se necessário superar os problemas supracitados. O Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Cidadania deve criar uma campanha, nomeada “O Brasil ético e racional que queremos”, com a finalidade de apresentar a importância do debate ético para o desenvolvimento da sociedade no que tange os aspectos humanos e ambientais e o motivo dele não poder ser pautado no lucro, por meio de propagandas transmitidas na TV aberta. Apenas dessa forma, o país avançará na ciência de forma contrária aos avanços no século XX.