Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/11/2020
Em oposição ao posicionamento positivista de Durkheim, Weber defende que os fenômenos sociais são dinâmicos e mutáveis, ou seja, para o pensador há necessidade de interpretá-los. Nessa lógica, pode-se afirmar que os desafios para a conciliação da biotecnologia com a ética exigem uma discussão mais ampla. Diante disso, cabe analisar tanto os prejuízos para o meio ambiente e para a saúde humana quanto os limites do avanço da ciência como fatores desse cenário, a fim de revertê-lo.
Nessa perspectiva, convém pontuar os impactos para o corpo social causados pela desmedida manipulação do material genético. Nesse contexto, o médico Paracelso acerta ao concluir que a única diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Desse modo, o manejo exacerbado da biologia molecular acompanha benefícios que não neutralizam os riscos, como é o caso da disseminação de transgenes que comprometem a biodiversidade.
Outrossim, vale salientar que a experimentação, método fundamental para a evolução científica, precisa ser regulamentada pela legislação vigente para que possa ser aplicada. À luz dessa ideia, o Código Nuremberg, que rege a pesquisa com seres humanos, surgiu após o fim da Segunda Guerra Mundial, em decorrência dos testes médicos nazistas. Não há como negar, portanto, que o histórico de violação à dignidade humana em nome do saber deve ser considerado pelo Direito.
Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar essa problemática. Logo, a escola, ligada à construção e ao reconhecimento de saberes, deve propor debates acerca da bioética. Tal ação pode ser realizada por meio de discussões guiadas por professores de biologia do ensino médio, com a finalidade de promover, dentro das instituições de ensino, o entendimento sobre a importância de o manuseio da biotecnologia estar sempre atrelado à ética. Com tais medidas, espera-se que o pensamento weberiano seja assimilado.