Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 16/11/2020

A inquietação sempre foi um fator definitivo para que as revoluções científicas, sociais e políticas acontecessem na humanidade. A Idade Antiga com a criação dos mitos, a dissecação de cadáveres na Idade Média, e mais atualmente o uso da biotecnologia, demonstram o quanto o ser sente-se incomodado com a dúvida. Aliás, a respeito dessa nova modalidade da ciência surgem discussões a respeito de seus avanços e até que ponto esses têm respeitado a ética e moral da sociedade, visto que, por vezes, a liberdade individual é colocada em xeque em detrimento da satisfação estética e/ou econômica.

Primeiramente, é inegável que a biotecnologia se mostra como uma importante aliada no tratamento de doenças e no entendimento do código genético dos seres vivos. Através da engenharia genética consegue-se, por exemplo, fabricar insulina por meio de bactérias, ou até mesmo desenvolver respostas mais eficazes de tratamento contra enfermidades que afetam o genoma humano. No entanto, a mesma tecnologia quando usada a serviço de interesses capitalistas pode apresentar reações bem contrárias ao propósito inicial apresentado. A saber, os transgênicos são alimentos que possuem o seu código genético modificado, com claros objetivos de aumentar a resistência à fatores suficientes para a perda da colheita, ou ainda diminuir o tempo de maturação dela. Contudo, se eles são capazes de gerar mais lucro, eles também são apontados como fatores para a predisposição de inúmeras doenças no organismo humano, como o câncer e doenças na glândula Tireoide.

Ademais, percebe-se que ainda há um grande debate da comunidade científica internacional no que concerne aos limites ético-jurídicos da manipulação genética. Técnicas que podem possibilitar a edição das características físicas, psicológicas e motoras de um embrião, a fim de produzirem seres humanos “geneticamente melhorados” têm se desenvolvido em larga escala. Entretanto, tais práticas não levam em consideração a liberdade individual do próprio indivíduo que será formado, ou ainda que tal tecnologia pode ser usada por grupos mal-intencionados na busca de uma raça pura e narcisista que se consideraria superior às outras, iniciando assim um uma nova era de eugenia e discriminação.       Portanto, urge que o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e com o Legislativo Federal, elabore leis e estatutos que harmonizem os inúmeros avanços ocorridos no campo da biotecnologia com os princípios éticos, morais e críticos da sociedade. Dessa maneira, instituições de ensino e de ciência poderão desenvolver seus estudos com objetivos mais claros e que privilegiem o corpo social de forma uniforme, sem causar maiores fatores segregacionistas, ou maléficos para os indivíduos que os compõem.