Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 19/11/2020
O personagem Charles Gordon, do livro “Flores para Algernon”, de Daniel Keyes, sofre de retardo mental em um nível muito alto; por esse motivo, ele passa por uma experiência que promete desenvolver suas capacidades cognitivas. Mesmo com o sucesso do procedimento, os efeitos não são duradouros, e , após ter experimentado uma alto nível de sabedoria, sabe que retornará à escuridão da ignorância. Não distante da ficção, muitos dos avanços da biotecnologia dependem da prática de experimentações, nas quais algumas rebaixam o Humano à objeto de estudo, sem projetar os danos que os resultados podem causar, dificultando a união da ética e da tecnologia para o progresso.
Em primeira análise, percebe-se que a biotecnologia e seus avanços podem colocar em risco a vida dos pacientes que se submetem às experimentações. Isso se deve ao não conhecimento das consequências e dos resultados, tanto pela parte da pessoa que se submete, quanto pela parte do cientista que está realizando. Nos campos de concentração do período do holocausto, o médico nazista Josef Mengele praticava experimentos mortíferos em humanos como se fossem animais, sem o mínimo de decência e compaixão. Ou seja, o respeito da figura humana no papel dos avanços biotecnológicos dependem da ética do cientista que desenvolve o experimento.
Além disso, é extremamente necessário o debate sobre como as biotecnologias irão interferir na sociedade, devido a possibilidade do aumento da desigualdade entre indivíduos. O filósofo americano Michel Sandal, em seu livro “Contra a Perfeição”, analisa as possíveis mudanças que podem ocorrer devido ao melhoramento genético, e como o dinheiro comandará quais pessoas serão mais desenvolvidas que as outras. Um exemplo de seu livro é o melhoramento genético da inteligência, no qual pessoas que adquiriram o desenvolvimento intelectual, devido à mutação, ganharão vantagens sobre outras, tanto nas universidades, como também no mercado de trabalho. Assim, também é necessário o planejamento e a prevenção de avanços que podem trazer para a sociedade um maior distanciamento entre os beneficiados do capitalismo e os não beneficiados.
Conclui-se, portanto, que os desafios na conciliação entre os avanços biotecnológicos e o respeito ao Humano têm como origem a falta de respeito e planejamento dos profissionais responsáveis por esses estudos. Por esse motivo, o governo federal brasileiro, órgão que garante a vida e a igualdade dos cidadãos, deve desenvolver a ética nos profissionais de todas as ciências, através de disciplinas obrigatórias nas grades curriculares de faculdades, para a formação de pessoas que respeitam o outro. Somado a isso, também é necessária a realização de Convenções entre esses profissionais graduados, para a realização de debates de como usar a tecnologia para aproximar pessoas, e não distanciá-las.