Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 23/11/2020
Desde um dos maiores eventos da engenharia genética, a clonagem da ovelha Dolly em 1997, o debate sobre os limites da ciência sobre a vida ganhou maior expresão. A importância das técnicas de manipulação do material genético é uma das áreas mais promissoras da ciência contemporânea, portanto, é necessário analisá-las por meio do diálogo entre diferentes atores sociais para que não seja arbitrariamente julgada. Assim, cabe o debate sobre os desafios para conciliar a Biotecnologia e a Ética a fim de possibilitar o desenvolvimento científico sem infringir danos à sociedade.
A princípio, entende-se engenharia genética como o conjunto de técnicas de manipulação do material genético, isto é, das cadeias de moléculas que definem as características dos seres vivos. Por sua vez, a Bioética é uma área de estudo da Filosofia moderna, que visa refletir os problemas causados pelo desenvolvimento da ciência, como acerca do aborto, da eutanásia e do uso de células-tronco. A importância de existir um campo racional como a Bioética para criticar os avanços do próprio cientificismo faz-se na necessidade do olhar crítico para seu entendimento. Porém, independentemente do estudo, não se deve evitar a ampla participação no debate conciliatório entre a filosofia e a razão, pois é a própria diversidade ideológica quem constrói essa conciliação.
Nesse contexto, a participação da visão humanística como balança do agir científico é fundamental. Os maiores investimentos na tecnologia e na ciência costumam ter interesses bélicos ou de retorno econômico, o que leva muitos a questinarem o real papel da industria científica firmada no século XXI. Tais impasses são discutidos por Tom L. Beauchamp e James F. Childress em sua obra “Principles of Biomedical Ethics”, uma das mais importantes no assunto. De certa forma, julgar o desenvolvimentismo científico é julgar a própria história da humanidade, uma vez que ela é baseada em avanços técnicos. Todavia, o avanço nos setores micro e nanoscópios representam um marco nunca presenciado, como apresentado por Klaus Martin Schwab, autor de “A Quarta Revolução Industrial”.
Assim sendo, conclui-se a necessidade da manutenção de setores como a Bioética na construção do conhecimento científico humanitário. Portanto, faz-se importante a regulamentação das práticas laboratoriais científicas por parte dos governos, por meio dos órgãos e ministérios responsáveis, com o intuito de estabelecer as áreas de atuação permitidas e favoráveis às pesquisas de engenharia genética. Também, é necessária a atuação de instituições científicas internacionais, com a parceria entre Estados, para obter-se parâmetros da engenharia genética e seus meios permitidos, com o fim de barrar atitudes antiéticas e obter uma conciliação entre a Biotecnologia e a Ética.