Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 01/12/2020

Na novela “O Clone”, de Glória Perez, o cientista Albieri cria um humano geneticamente idêntico a outro, indo de encontro à ética e ultrapassando os limites estabelecidos na comunidade científica. Nesse sentido, embora a engenharia biotecnológica tenha trazido diversos avanços no que tange a tratamentos de saúde, levanta-se o debate acerca dos desafios para conciliá-la com a ética.

Por certo, vale ressaltar que, segundo o filósofo Hengel, a ética deve ser pautada pelas consequências da ação humana - chama-se ética aplicada. Nesse ínterim, quando os resultados da ciência aos humanos são em prol de sua saúde, é aceitável a intervenção de questões genéticas. Nesse viés, destaca-se a criação de vacinas, nas quais são utilizados genes recombinantes, além de soros, fertilização in vitro por casais que não podem ter filhos, entre outros.

No entanto, quando as consequências oriundas da biotecnologia são prejudiciais a alguém, deve-se rever sua utilização. A criação da ovelha Dolly, por exemplo, fruto de uma clonagem, é um exemplo disso. Nesse sentido, a problemática envolvendo tal questão está relacionada à retirada da individualidade de cada ser, ou seja, a crença equivocada de que a satisfação pessoal do pesquisador é mais importante do que a vida de um ser vivo, o qual carregará sequelas pelo resto da vida.

Portanto, tornam-se imprescindíveis medidas a fim de se superar os desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética. Para isso, é necessário que os cursos de medicina e biologia amparem a sociedade, ação exequível mediante rigorosas aulas de ética e filosofia, nas quais sejam expostas as possíveis consequências traumáticas da utilização da engenharia biotecnológica em prol apenas do ego do cientista, tudo com a intenção de se obter profissionais conscientes acerca dos limites dessa área. Se assim feito, poder-se-á obter a harmonia entre a biotecnologia e a ética, limitando o mau uso da ciência às novelas.