Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 08/12/2020
No filme americano “Onde está segunda?” retrata a escassez de recursos proporcionados pelo grande crescimento populacional. À vista disso, o mundo precisa investir em alimentos geneticamente modificados. Entretanto, tal iniciativa, associada à biotecnologia, gera como efeito colateral o nascimento crescente de gêmeos, o que intensifica o problema referido. Fora do mundo distópico, o problema da conciliação dessa ciência e a ética se vê, de fato, atrelado a falta de conhecimento sobre as consequências de tal utilização e a busca incessante pelo lucro: ambos com potencial para colocar em risco a integridade de toda a população.
Primeiramente, vale abordar a importância da biotecnologia, em que a qualidade de vida foi transformada pelas invenções de antibióticos, vacinas e pesquisas com células-tronco. Todavia, a clonagem e manipulação gênica, por exemplo, pode apresentar riscos, pois não há conhecimento necessário para prever as consequências da inclusão ou exclusão de genes no organismo. Nesse sentido, o caráter da biotecnologia pode infringir a ética, visto que, segundo o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas, tal técnica é um setor que depende de incentivos privados, deixando os resultados dos avanços científicos reféns das empresas restritas. Assim, há um conflito de interesses, confirmando que, a exemplo disso, tem-se o manejo da biotecnologia na agricultura brasileira, que desenvolveu espécies de soja resistente aos herbicidas, causando sérios problemas de saúde nos indivíduos que consomem esse produto.
Por outro lado, é importante ressaltar a ganância humana, a qual coloca o lucro acima de qualquer ética. Sob esse aspecto, convém citar os alimentos transgênicos produzidos no Brasil, cuja função inicial era adaptar as plantações aos diferentes climas. No entanto, em busca de uma superprodução e consequente retorno financeiro, as espécies de plantas passaram a receber genes resistentes às pragas e com maior durabilidade e tamanho. Por conseguinte, isso poder trazer danos à saúde como o desenvolvimento de canceres e alergias. Logo, urge a necessidade de mitigar a problemática.
Portanto, cabe ao Estado administrar uma maior parte de PIB para o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio de economistas que distribuirão o montante. Isto posto, o Ministério poderá investir e potencializar as inovações tecnológicas a cerca da biotecnologia, criando centros de pesquisa com ampla infraestrutura, de modo a reunir cientistas em prol do surgimento de inovações que possam ser implantadas na sociedade de forma ética e respeitosa. Assim, tal ciência será implantada pela moral em busca de um bem comum e não de interesses particulares como no filme “Onde está segunda?”.