Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 15/12/2020

O seriado Black Mirror, da Netflix, aborda a biotecnologia dentro de um universo distópico, onde é usada para punir, manipular e limitar de forma estrutural a realiade social, ultrapassando qualquer limite ético. A biotecnologia está presente em alimentos e processos médicos que vão desde a vacina até a seleção genética, logo, questões são levantadas a respeito dos limites para lançar mão dessa tecnologia. Sendo assim, a seleção genética mostra um movimento semelhante à eugenia nazista no século XX e a produção de alimentos geneticamente mutados traz consequências aos consumidores e ao meio ambiente por suportarem mais agrotóxicos.

Primeiramente, segundo Theodor Adorno e a teoria crítica da Escola de Frankfurt, a ciência em tempos industriais passou a ser ferramenta para dominar e modificar a natureza e as relações sociais. Dessa forma, a biotecnologia inserida na conjuntura industrial e massficadora atual, assim como outros meio de produção científica, serve ao que Hebert Marcuse chama de sociedade tecnicista, onde sua realização não se limita à ética necessária para um bom uso, mas sim aos interesses individuais de quem detiver tal recurso. Assim, a biotecnologia cumpre um papel de disfunção social e de reificação do ser humano em suas relações materiais; a mudança no sentido de ser humano abre espaço para maiores segregações e exclusões sociais.

Em seguida, a biotecnologia tranformou a forma de se produzir alimentos, segundo a Revista Globo Rural, em 2016, o Brasil era o segundo maior produtor de alimentos geneticamente mutados com 49,1 milhões de hectares. Dessa maneira, observa-se que a produção transgênica de alimentos é representado pela cadeia industrial de alimentos, alinhada á tecnologia de ponta e alta produção com uso intensivo de agrotóxicos, contaminando o solo e os consumidores. Dessa forma, a produção transgênica não ameaça apenas o ambiente e o consumidor, como também o espaço do produtor familiar e do produtor orgânico de alimentos, cercados por um mercado de intensa produção marcado pela quantificação antes da qualidade.

Conclui-se que a biotecnologia abrange extensas áreas de atuação, cujos desdobramentos podem servir ao ser humano como podem o prejudicar. Assim sendo, o uso de tal recurso deve ser regulamentado e organizado pelos comitês de ética médica, para uso da biotecnologia para cumprir alguma função social, e não para segregar e selecionar genes a fins instrumentais e tecnicistas. E pelo Ministério da Fazenda, a favor da segurança alimentar nacional, aumentando a resistência natural para assim dimunuir o uso de agrotóxicos. Tais medidas contribuem para o uso científico consciente e humanitário, levando à cura de doenças e não à guerra biológicamente mutada.