Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 06/12/2020
No início do século XVIII, a Inglaterra foi o primeiro palco da estrondosa repercussão do romance - e ficção científica - “Frankenstein”, lançado em 1818 pela inglesa Mary Shelley. Essa obra relata a história de um estudante de Ciências Naturais que consegue reviver a matéria morta e cria um novo tipo de ser. Com isso, a narrativa foi vista como um alerta de que o homem não deveria manejar o que está fora de seu alcance, por conta de possíveis riscos a vida humana e ambiental. Assim, em paralelo à modernidade, é lícito afirmar que é necessário impor limites à pesquisa em laboratório e manter cautela para desenvolver práticas humanizadas de estudo e pesquisa.
Em primeiro plano, é necessário ressaltar que após as evoluções tecnológicas da Terceira Revolução Industrial, as influências da modernidade se expandiram para diversas áreas, entre elas, a Biotecnologia. Dessa forma, é inadmissível negar a importância desse desenvolvimento, uma vez que acarretou em melhorias na áreas de agricultura, farmacologia e medicina, possibilitando o aumento da expectativa de vida da população - o qual pode-se citar a produção de insulina por bactérias transgênicas - e o crescimento da produtividade agrícola.
No entanto, essa área das Ciências Naturais também pode apresentar-se como vilã quando o assunto é alteração de genomas humanos. Esse fato é observado na série “Explicando”, da Netflix, a qual apresenta, em um de seus episódios, um portador de Síndrome de Down que critica a seleção de genes na reprodução assistida e afirma sentir-se como um aberração ao lembrar que essa engenharia genética fará com que, no futuro, pessoas como ele não existam mais.
Sendo assim, é notório constatar que a Biotecnologia trilha por um caminho que pode levar a uma zona bifurcada: um lado caminha com os limites da ética, enquanto o outro extrapola-a. Posto isso, cabe à Organização das Nações Unidas promover discussões internacionais sobre os limites jurídicos, morais, culturais e ambientais das modificações genéticas, seus efeitos e causas, tendo como objetivo estabelecer o equilíbrio entre a Ciência Moderna e a Ética, com o apoio de sujeitos atuantes das decisões globais. Assim, não haverá segregações e a história de Frankenstein permanecerá apenas na literatura ficcional.