Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 08/12/2020
Em 2018, um cientista chinês foi responsável por realizar a primeira edição genética em duas gêmeas, a fim de torná-las imunes ao vírus do HIV, causador da AIDS. No entanto, devido ao pouco conhecimento sobre possíveis consequências e imprevistos, tal técnica foi duramente criticada no meio científico. Nesse contexto, é válido ressaltar os desafios que o mundo enfrenta para alcançar a conciliação entre a biotecnologia e a ética, já que, apesar de beneficiar o homem, ela contraria a seleção natural, proposta por Charles Darwin, e pode propiciar o aumento das desigualdades sociais.
Em primeiro plano, é importante salientar sobre as implicações que a edição de genes pode causar. De acordo com Darwin, em seu estudo sobre a natureza, os indivíduos mais aptos seriam selecionados para sobreviver no meio ambiente. Porém, com o avanço da biotecnologia, essa condição humana pode ser alterada, já que a manipulação genética é capaz de alterar as características dos seres. Nesse sentido, as pesquisas, como na China, que supostamente aumentariam a expectativa de vida, por serem algo novo, não podem prever alguns erros, que afetariam negativamente as pessoas.
Ademais, os altos custos para a realização das técnicas para edição do genótipo humano, podem colaborar para o aprofundamento da desigualdade. Nesse intuito, o filme “O Preço do Amanhã”, retrata uma sociedade na qual o tempo é dinheiro, e os indivíduos mais ricos vivem para sempre, enquanto os mais pobres devem implorar por cada minuto de suas vidas. De modo análogo, devido ao preço elevado, populações de baixa renda não obteriam acesso a essa tecnologia e teriam uma vida inferior. Por isso, é imprescindível o debate sobre o assunto para evitar tratamentos desiguais na sociedade.
Destarte, medidas são necessárias para que haja uma conciliação entre a biotecnologia e a ética, de maneira a beneficiar toda a população. Para isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve criar um projeto de regulamentação das pesquisas na área da genética e biomedicina, a fim de introduzir uma conduta política justa e igualitária entre os cientistas, e com maiores financiamentos para a segurança bioética nas pesquisas. Sendo assim, o intuito de tais medidas é a obter avanços na biotecnologia, sem comprometer as condições de vida de cada indivíduo. Logo, a problemática não será mais uma preocupação e as implicações do uso indiscriminado da tecnologia poderão ser evitadas.