Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 10/12/2020

Graças a biotecnologia moderna, a humanidade chegou a patamares de conhecimento e manipulação da natureza nunca imaginados antes. Por mais benefícios que possa trazer, ela requer limites jurídicos embasados em códigos de ética. Contudo, os avanços da biotecnologia são mais rápidos e antecedem o desenvolvimento desses códigos, que penam para alcança-la, pois as discussões só vem após a novidade. Diante disso, apresenta-se questões como a manipulação genética e o uso dual de tais ferramentas, com consequências obscuras.

Assim, a possibilidade da criação de uma “casta biológica” é uma questão complexa a ser debatida na contemporaneidade. Há anos já se faz manipulação genética para benefício da humanidade, como a inserção de genes humanos em DNA de bactérias para a fabricação de substâncias ausentes no organismo de pessoas doentes. Entretanto, esse conhecimento deu margem a seleção de genes, características físicas e biológicas desejáveis, em seres humanos, que traz consigo veladamente um preceito eugênico, mais perigoso que a experiência do nazismo. Sendo assim, em hipótese alguma deve-se ignorar os potenciais malefícios no uso da engenharia genética.

Além disso, as ciências também estão presentes na ótica do poder, como por exemplo nos planejamentos de guerras militares, podendo ser denominado de bioterrorismo. O uso de tal engenharia pôde ser visto na Segunda Guerra Mundial, com o desenvolvimento de uma arma de destruição em massa a partir de uma famosa equação matemática de Einstein. No entanto, o século XXI traz saberes e ameaças ainda mais profundos, com o surgimento da nanotecnologia se tornou possível criar em laboratório patógenos que se disseminam pelo ar, com potenciais de destruição inimagináveis.

Portanto, fica evidente que a fronteira entre benefício e malefício está nas decisões humanas, no uso que se faz do saber científico. Sendo assim, devido aos constantes avanços das ciências, novos tratados mundiais devem ser feitos e assinados, como a Convenção de Genebra, por órgãos mundiais neutros. Pois, além de trazer definições de normas a partir das quais são elaboradas leis consensuais, provoca discussões plurais, que possui caráter democrático e é consoante ao dinamismo social. A história da humanidade é uma eterna tensão, mas é dela que desponta o aprimoramento das relações humanas entre si e com a natureza.