Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 11/12/2020
Com o advento de novas tecnologias surgem novos impasses, um exemplo disso foi a Revolução Industrial que trouxe a maquinofatura como seu motor principal substituindo a manufatura, consequencia desse processo foi a precarização do trabalho e das relações humanas surgindo a figura dos operários, que se uniram em busca de direitos trabalhistas por meio de greves e formação de sindicatos. Na contemporaneidade brasileira, o avanço biotecnológico encontra-se em linha tênue com a ética, sendo um desafio conciliar as áreas, isso ocorre não só pela desvalorização científica da sociedade brasileira, mas também pela ineficácia estatal na temática.
Primeiramente, é imperioso destacar o caráter social desse imbróglio. No livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, o autor demonstra, a partir da mudança comportamental dos personagens, como o meio social é capaz de orientar os comportamentos e pensamentos dos indivíduos. Assim sendo, ao trazer esse racíocinio à luz da sociedade brasileira, extremamente carente cientificamente devido, principalmente, a enorme desigualdade social presente no país, compreende-se o fato de certas abordagens biotecnológicas, que usam seres vivos para seus estudos, sejam vistas com receio por parte da população, mesmo que esses estudos estejam sendo feitos de maneira regular e respeitando os seres vivos manipulados, e isso precisa ser modificado.
Outrossim, deve-se encarar a ineficácia do Estado nesse assunto. A Constituição Federal de 1988 possui, como um dos seus objetivos, o anceio de que o Brasil se desenvolva como nação. Dessa forma, ao considerar o poder enorme que biotecnologia possui ao trabalhar, por exemplo, na cura de doenças utilizando células-tronco, ela aparece como um pilar para o progresso no país. Contudo, esses estudos biotecnológicos, por trabalharem com seres vivos precisam ser monitorados pelo governo para evitar abusos contra os seres utilizados nas pesquisas, é de extrema importância que exista uma legislação regulando as práticas biotecnógicas para que elas não violem a ética.
Depreende-se, portanto, ser mister intervenções conciliando a biotecnologia e a ética. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, aliado à Secretaria Estadual de Educação de cada um dos Estados, poderia promover palestras, aulas e debates em escolas públicas e privadas com o objetivo de mostrar à comunidade (adultos e crianças) a importância da biotecnologia e dialogar sobre os seus limites éticos e morais. Ademais, o Congresso Nacional, com sanção do Presidente da República, promulgaria uma lei de combate a abusos éticos em estudos biotecnológicos, criando esse regulamento com especialistas na biotecnologia e representantes de diferentes setores da sociedade, para consentirem nesses limiares éticos. Com tais medidas, o Brasil se tornará um país melhor.