Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 11/12/2020

A biotecnologia é uma área da biologia dedicada a estudar e desenvolver avanços para criar ou modificar organismos vivos. Esta é responsável pelos diversos avanços da medicina, agroindústria como tantos outros. Todavia, o uso e transformação dos seres bióticos fomenta grandes discussões no âmbito moral, isto ocorre devido às divergências pessoais dos cidadãos. Logo, observa-se que a incerteza das consequências e a heterogenidade de opiniões constituem desafios para a conciliação da tecnologia biológica e a ética.

Em primeiro lugar, é importante salientar que os resultados do uso de organismos geneticamente modificados (OGM), na alimentação de seres humanos, ainda não são conclusivos. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), os trangênicos trazem potenciais riscos à saúde humana como: aumento de alergias, resistência a antibióticos e uma maior exposição a agrotóxicos, esta pode ocasionar problemas mais graves. Nesta informação, é possível analisar o uso do termo “potencial”, no sentido que não há certeza se um indivíduo ingerir um OGM desenvolverá alguma enfermidade. Então, vê-se que a ausência de comprovação das complicações resultantes perpetua essa problemática.

Além disso, a utilização de células pluripotentes gera desavenças baseadas nas garantias civis.  De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cada pessoa tem direito a vida. Essa prerrogativa ocasiona debate no contexto médico, visto que não há um consenso de quando a vida se inicia. Tal fato interfere na utilização de células-tronco embrionárias para pesquisas, pois elas derivam de um embrião, e para membros da comunidade, esse já se constitue como um ser humano. Assim, verifica-se que a diferença de pontos de vista dificulta a harmonização da moral com as novas técnicas.

Portanto, nota-se que a indeterminação dos efeitos gerados e distintas opiniões são desafios para a conciliação da biotecnologia e da ética. Por isso, o Ministério da Saúde deve promover o diálogo entre especialistas e leigos, por meio da realização de convenções estaduais e, posteriormente, nacionais, a fim de buscar um consenso no uso de células tronco para pesquisas . Conforme Jurgen Habermas, a comunicação entre partes divergentes é a única maneira de resolver os problemas da sociedade. Por conseguinte, a resolução exposta ajudará a resolver os obstáculos presentes no campo ético.