Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/12/2020
A Quarta Revolução Industrial instaurou a biotecnologia em diversas esferas sociais, desde a agricultura até a produção de vacinas. Porém, essa novidade tem levantado problemas éticos pelo potencial que possui de modificar o genoma dos seres vivos e a organização natural da vida. Nesse sentido, emerge um delicado problema em virtude da falta de debates em relação ao tema e da mentalidade capitalista das empresas que usufruem dessa tecnologia para fins obscuros.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desconhecimento dessa inovação pela sociedade retarda a definição de limites no campo da ética. Com isso, é caracterizado por um tema que causa desconforto por ser silenciado e acaba por se tornar tabu, conforme a perspectiva de Michel Focault. Nesse sentido, a biotecnologia avança sem limites claros e contraria, por inúmeras vezes, preceitos religiosos e morais, visto que não possui uma regulamentação clara. Sendo assim, trabalhos como a modificação de características humanas e os organismos transgênicos seguem em desenvolvimento com base em interesses de determinados grupos em função do distanciamento dessa discussão das camadas sociais.
Outrossim, vale salientar que o capitalismo contribui veementemente para essa discussão. Afinal, esse sistema, conforme Karl Marx, prioriza o lucro em detrimento aos valores. Desse modo, é perceptível que muitas indústrias que utilizam a biotecnologia como um potencial para suas respectivas produções não irão impor limites nesse processo, haja vista que isso promove o maior acúmulo de capital. Logo, torna-se ainda mais difícil alinhar os limites éticos aos avanços genéticos.
Portanto, são necessárias medidas para regulamentar essa inovação frente as questões morais. Para tal, a Organização Mundial da Saúde deve fiscalizar os laboratórios de pesquisas mundiais por meio da definição de fiscais em cada país a fim de impedir que os limites éticos sejam ultrapassados por interesses de grupos seletos. Além disso, essas pesquisas devem ser arquivadas em um repositório online de acesso público. Assim, será possível popularizar esse novo conhecimento e impor limites adequados em seu desenvolvimento.