Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 12/12/2020

Durante a 2ª Guerra Mundial, a medicina nazista realizava experimentos horrendos com seres humanos, o que, muitas vezes, os levavam à morte. Felizmente, após julgamentos, foram elaborados documentos de ética médica que respeitam a vida e autonomia do homem. Atualmente, a biotecnologia é admirada por muitos pelas grandes inovações científicas, porém, muitas vezes, essas novidades são barradas pela ética. Nesse sentido, a conciliação entre essas áreas só ocorrerá com a superação de desafios, como a ideia de supremacia da ciência e a falta de valores sólidos pela sociedade. Sendo assim, medidas devem ser tomadas a fim de reverter essa problemática.

De fato, vive-se, hoje, em uma sociedade muito cientificista. Segundo o filósofo Karl Popper, muitas pessoas acreditam que as verdades são provadas por experimentos e artigos científicos sem, ao menos, considerar uma reflexão filosófica sobre as questões. Nessa aspecto, a biotecnologia, a partir da biologia molecular e das técnicas de manipulação genética, é aclamada por possibilitar a criação de transgênicos e, possivelmente, executar os estudos sobre clonagem humana e uso de células tronco, por exemplo. No entanto, por mais que essas pesquisas gerem euforia e ansiedade, por parecerem prósperas, é valido frizar que a ciência não possui evidências sobre as consequências e riscos desses experimentos para a vida do homem e o meio ambiente. Dessa forma, é mais coerente valorizar a vida como bem inalienável e preservá-la acima de tudo, como defende a Declaração dos Direitos Humanos.

Além disso, percebe-se que a sociedade brasileira, em parte, não possui valores consolidados, o que prejudica a formação de uma ética social que concilie com a biotecnologia. Segundo o filósofo Kant, o homem deve agir com base em uma ética de responsabilidade, a partir do “imperativo categórico”, ou seja, sua ação deve ser possível de tornar-se uma lei geral. Nesse sentido, o limite da biotecnologia é aquele em que a sua ação está focada no bem de todos e não apenas na evolução científica. Entretanto, muitas vezes, a falta de valores éticos sólidos e de um visão de bem coletivo, as quais ocorrem por uma falha educacional, provocam desarmonia social e danos morais.

Fica claro, portanto, que a conciliação entre biotecnologia e ética só se dará se alguns desafios ainda existentes forem superados.Para tanto, cabe as escolas combaterem o cientificismo exacerbado, por meio de discussões semanais a respeito da importância da ciência e suas limitações, nas aulas de Filosofia e Sociologia, revelando o lugar da ciência e outras formas de pensar, a fim de formar uma consciência mais ampla. Ademais, compete as famílias fortalecer os valores éticos e morais com os filhos, por meio do diálogo contínuo sobre o assunto e a leitura diária de literatura clássica, com o fito de formar futuros cidadãos mais virtuosos e evitar a desarmonias sociais.