Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 13/12/2020

A obra cinematográfica “Cobaias” retrata a história dos Estados Unidos, em 1932, tomado por uma epidemia de sífilis entre as comunidades afro-americanas. É nesse cenário que o governo cria um programa de tratamento no local, no entanto, após perder o apoio financeiro, um grupo de médicos organiza um novo projeto que apenas finge estar tratando a doença quando, na verdade,  estão realizando estudos a fim de analisar as igualdades ou diferenças biológicas entre negros e brancos, transpondo os limites bioéticos da medicina. Concomitante a isso, torna-se crescente a preocupação com a conciliação da biotecnologia e a ética. Nessa perspectiva, tal desafio deve ser analisado e superado de imediato.

É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) quanto aos direitos que garantem o bem-estar, a qualidade de vida e a dignidade da pessoa humana, dentre eles, o acesso a segurança, a educação e a saúde. Contudo, a realidade mostra-se o oposto e o resultado desse contraste pode ser refletido no atual cenário. Segundo dados divulgados pelo G1, em 2018, o biólogo chinês He Jiankui rompeu o limite da ética em pesquisas humanas ao modificar o DNA de embriões de maneira ilegal.

Faz-se mister, ainda, salientar os fatores etiológicos e impulsionadores do problema. Segundo o sociológo polonês Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a sociedade contemporânea emerge no individualismo e na efemeridade das relações humanas, nas quais as pessoas transferem o ideal de melhoria em prol do bem comum para o de ascensão própria, atos que corroboram com a depreciação do valor da vida humana e propaga ações de descuido e zelo que devem ser fornecidos a sociedade, como a ultrapassagem ética nos estudos e práticas científicas.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de garantir a solidificação de políticas que visem a construção de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério da Saúde, juntamente com o setor midiático, promova campanhas e palestras, com profissionais capacitados, com o intuito de conscientizar a população quanto aos perigos e consequências da não conciliação entre a biotecnologia e a ética. Ademais, cabe ao Estado a revisão da distribuição coerente de verbas voltadas para a manutenção do código ético e seu cumprimento nos programas de saúde do país. Dessa forma, o Brasil pode superar os óbices que circundam a segurança dos cidadãos.