Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 15/12/2020

Em sua época, Thomas Malthus dizia que a humanidade morreria de fome porque a produção de alimentos não acompanharia o crescimento da população. Contudo, tal hipótese se tornou refutada com o avanço da biotecnologia, a qual permitiu a criação de novas sementes e de outros insumos, revolucionando, assim, o modo de produção agrícola. Por um lado, isso é deveras importante para o desenvolvimento das populações, mas o avanço da biotecnologia causa desafios para sua conciliação com a ética, sobretudo em relação à natureza e à própria questão da humanidade.

Primeiramente, vale ressaltar que os agrotóxicos e maquinarias decorrentes da biotecnologia, embora fortaleçam os alimentos e aumentem a velocidade de produção, colocam a biodiversidade do sistema em risco. Nesse sentido, o jornal Mãe Terra registra um caso em que 30 mil abelhas morreram devido à toxicidade nos alimentos das grandes plantações. Isso evidencia que a biotecnologia ainda possui defeitos perigosos que impõem desafios à sua conciliação com a ética acerca da natureza, afinal, tais ameaças contra a cadeia biológica afetam o funcionamento do ecossistema inteiro.

Além disso, a ética humana sobre o valor da vida também passa a ser confrontada pela biotecnologia, o que dificulta uma eventual conciliação entre ambas. Para ilustrar, a advogada Renata da Rocha, doutoranda em Filosofia do Direito pela PUC-SP, indica que em fertilizações in vitro é possível modelar as características do embrião. Assim, pode-se inferir que as próximas crianças podem deixar de serem tratadas como especiais, e passariam a ser apenas commodities moldadas pelos pais. Então, nota-se que isso é uma grande divergência entre a ética humana e a biotecnologia, pois o conceito de vida passa a ser algo trivial, o que pode, ademais, levar ao remodelamento da humanidade, já que as pessoas se tornariam mais próximas de produtos do que de seres vivos.

Portanto, em frente aos tópicos levantados, medidas devem ser tomadas para atenuar tais desafios. Primeiramente, é dever do Ministério do Meio Ambiente, através de leis e impostos, regularizar o uso de agrotóxicos pelos produtores, para que as espécies não adaptáveis às toxinas não sejam tão prejudicadas. Dessa forma, será possível obter um maior controle acerca da conciliação entre a natureza e a biotecnologia. Em adição, o Ministério da Educação deve reestruturar o Plano Pedagógico de Ensino das escolas de ensino fundamental e médio, incluindo matérias relativas às questões sociais de humanidade, vida e ética. Isso deve ser feito por meio de reuniões entre profissionais da educação atuantes no governo, e tem o objetivo de ensinar a população a conciliar os benefícios da biotecnologia à ética de nossa época. Destarte, com tais medidas em prática, os desafios para a aliança entre ciência e humanidade serão atenuados, o que acarretará o progresso civil da sociedade brasileira.