Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 16/12/2020

De acordo com Nikola Tesla, cientista sérvio, “a ciência é uma perversão de si mesma, a menos que tenha como fim último melhorar a humanidade”. Tal visão, embora concretizável, esbarra em um conjunto de regras socialmente construídas que estão além do racionalismo atual, ou seja, a ética. Assim, trata-se de um desafio conciliar tais preceitos com a biotecnologia no Brasil. Isso ocorre ora devido à dissonância entre parcelas da população a respeito da engenharia genética, ora em decorrência de polêmicas relacionadas à utilização de animais em teste laboratoriais.                                     A priori, é imperativo relacionar a aplicação desmedida da engenharia genética com o pensamento de Mario Sergio Cortella. Conforme o filósofo brasileiro, “é necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”. Nessa perspectiva, com o atual predomínio do pensamento científico, as pessoas são instruídas a pensarem de modo racional e utilitário, ou seja, de modo calculista, sem dar importância para conceitos morais e éticos. Entretanto, tal atitude, engendra pessoas frias e que naturalizam atitudes antes vistas como inadmissíveis, como a criação de vida em laboratório e descarte de embriões não utilizados.

A posteriori, é imperioso concatenar os testes feitos em animais com a análise de Albert Schweizer. Segundo o teólogo alemão, “o erro da ética tem sido a crença de que só se deve aplicá-la em relação aos homens”. Sob esse viés, a maioria dos testes da indústria biotecnológica utiliza indiscriminadamente animais, como ratos, em virtude da semelhança genotípica e fisiológica, já que, quase que a totalidade dos procedimentos são proibidos de serem feitos em seres humanos. Porém, o cerne do problema é que a cobaia é tratada como objeto, sem a mínima preocupação por parte do cientista, o que torna comum nas redes sociais imagens aterrorizantes de animais com tumores, sofrendo até o limite para ,então, serem descartados sem nenhuma piedade.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a conciliação entre ética e biotecnologia. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de palestras em instituições de ensino públicas e privadas com o tema " Biotecnologia do bem". Isso deve ser feito por meio da contratação de biotecnologistas e filósofos que busquem condensar tecnologia e ética e induzam o debate entre os alunos presentes, com a finalidade de estimulá-los a ter um pensamento científico e moral. Assim, possivelmente dois temas tão divergentes poderão andar de mãos dadas em prol do bem estar geral. Dessa forma, a ciência terá como fim último melhorar a sociedade, como visava Tesla, porém, de mãos dadas com a ética, como busca Cortella.

De acordo com Mario Sergio Cortella, filósofo brasileiro, “é necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciencia e começarmos a achar que tudo é normal”.