Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/12/2020
Em medados do século XVI, durante o período renascentista da Europa Ocidental, Leonardo Da Vinci, cientista e artista plástico italiano, dissecava e estudava cadáveres humanos,contribuindo para a evolução da medicina da Era Moderna, apesar da forte repressão moralista da Igreja Católica. Nesse contexto, nota-se contemporaneamente a necessidade de racionalização da ética humana no desenvolvimento biotecnológico. Tal fato é necessário para que a evolução humana não seja inibida pelo fundamentalismo religioso, entretanto é importante também que a ciência não transponha os limites em relação à vida.
A princípio, é preciso elucidar que a ciência não deve ser julgada a partir de preceitos religiosos, mas por argumentos laicos, dotados de razão pura. Segundo Martinho Lutero, fundador do Protestantismo, os domínios da religão e da ética legal são distintos, cabendo somente ao Estado o julgamento de questões de ordem terrena, como o campo da ciência. Logo, pode-se concluir que o desenvolvimento biotecnológico deve seguir legislações estatais baseadas na racionalidade, visando o bem estar de toda humanidade, sem que haja interferência de grupos religiosos, os quais têm perspectivas unilaterais e místicas em suas concepções.
Todavia, faz-se necessário comprender que a produção científica não deve gozar de liberdades ilimitadas, visto que o ser humano não é uma máquina insensível à brutalidade de alguns experimentos da ciência. De acordo com a British Broadcasting Corporation (BBC) Brasil, nos campos de concentração nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de pessoas morreram quando expostas a experimentos inumanos, como a inoculação de organismos patogênicos intactos para teste de novos medicamentos. Nesse sentido, compreende-se que diferentemente da lógica maquiavélica os fins não justificam os meios, assim sendo necessário lesgislar sobre as atividades científicas que envolvem seres humanos, para que não haja outras reproduções do ocorrido no Holocausto nazista.
Desse modo, torna-se essencial criar medidas que possibilitem os experimentos biotecnológicos na esfera ética da humanidade. Para isso, será necessário que o Estado efetivamente laico organize legislações específicas para a área da biotecnologia, para que assim a produção científica seja regulada unicamente na razão ética dos homens. Ademais, é importante que a Organização Mundial da Saúde (OMS) crie um sistema digital capaz de fiscalizar períodicos acadêmicos, dessa maneira controlando os métodos científicos utilizados internacionalmente. Feito isso, as pessoas poderão evoluir para uma sociedade em que a ética e a biotecnologia coexistirão harmoniosamente em prol do bem da humanidade.