Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 15/12/2020
Após as evoluções tecnológicas da Terceira Revolução Industrial, as consequências da modernidade expandiram-se para diversos campos, como a biotecnologia. Logo, é essencial afirmar que tal fator apresenta um caráter positivo para a humanidade, uma vez que promove melhorias e modernizações tecnológicas no ramo da medicina e agricultura, o que proporciona o aumento na expectativa de vida global, assim como acelera o processo de produção alimentícia. Entretanto, durante a execução de estudos e criações de novas modernidades e descobertas científicas, impasses com a ética são gerados, já que a biotecnologia apresenta procedimentos genéticos muitas vezes invasivos, bem como ocasiona na deterioração ambiental e em impactos sociais, o que deve ser imediatamete combatido.
Deste modo, a partir da engenharia genética, desenvolvida nos anos 1970, a ciência passou a ser chamada de biotecnologia moderna. O conhecimento é baseado na manipulação e transferência de genes entre organismos, a fim de obter-se material industrial. Assim, nesse contexto, foram criados os chamados alimentos transgênicos, isto é, produtos geneticamente modificados, o que faz com que ocorra o aumento produtivo e saudável dos alimentos, assim como mais resistentes ao uso de fortes pesticidas. No entanto, em meio a tantas positividades econômicas ao produtor, o consumidor final, após longos períodos de consumo de transgênicos, passa a desenvolver uma série de enfermidades ligadas ao câncer, problemas cardiovasculares e neurológicos, levando-o, muitas vezes, à morte.
Acrescido a isso, o uso descontrolado de tecnologias, presente de maneira constante no sitema capitalista, encontra desafios na área das ciências biológicas e ética. O físico Stephen Hawking, assim como Jennifer Doudna, discutiam a insaciedade da mente humana acerca dos avanços científicos e, segundo ambos, o ser humano tende a caminhar em direção à autodestruição. Com isso, a gradual substituição do natural pelo artificial e, portanto, do ético pelo produtivo, gera consequências irreparáveis ao ambiente e à humanidade, o que torna-se perceptível, por exemplo, com o aumento de 20%, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do desmatamento da Amazônia para a instalação de monoculturas e maior competição com outros países no mercado externo.
Com isso, pode-se concluir que cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações realizar a implantação de maiores fiscalizações quanto ao uso descontrolado e inconsequente da tecnologia, de modo a realizar multas e penas para que empresas detentoras de tecnologias que ultrapassem a barreira da ética interrompa tais ações de maneira imediata. Além disso, o Ministério da Educação deve, desde a educação básica, introduzir matérias obrigatórias relacionadas à ética, de forma a se criar cidadãos conscientes e que não propaguem a biotecnologia anti-ética.